Desenganem-se as mentes mais ousadas que já começaram a pensar sobre o teor desta crónica. Não venho aqui falar do acto sexual em si mesmo propriamente considerado e opinar sobre as diversas técnicas do prazer sublime, assim a modos que uma Dra Ruth.

Como todas bem sabemos, fazer sexo é uma coisa, fazer hamor é outra. Hormonas e coração não funcionam no mesmo ritmo e na mesma direcção. Às vezes, com sorte, muita sorte e também um pouco mais de empenho emcional, as duas coisas podem coincidir, mas nem sempre é assim.

Hoje em dia tudo se democratizou de tal forma que as fronteiras entre o valor semântico das palavras e como elas se materializam na nossa vida, vão ficando cada vez mais diluídas e por vezes numa indefinição total.

Distinguir hamor de sexo é hoje uma questão quase filosófica. Hamor sem sexo, sexo sem hamor, é conversa que dá pano para mangas. Haja paciência para tanta discussão.

O hamor pode ser feito vinte e quatro horas por dia, no trabalho, nos telefonemas inesperados, nas compras, nos bilhetinhos deixados, na dedicação diária, no riso, nos planos, no jantar favorito, nas surpresas  constantes, enfim, na segurança de se olhar para alguém e saber que é “aquilo”. E é sempre mais atento, mais delicado, num apurado processo de renovação constante.

Já o sexo…..bom, pode-se fazer de uma forma muito mais desligada do contexto. É mais rápido, mais fácil de começar e ainda mais de terminar, é menos exigente, deixa menos remorsos.

E quem ainda não deu por isso, que atire a primeira pedra…..

Na teoria das probabilidades, fazer hamor e sexo em simultâneo pode ser considerado um verdadeiro jackpot. Mas também, lá diz o provérbio que quem tem sorte ao jogo tem azar no hamor. Vá lá entender uma coisa destas.

Cada um saberá o que prefere, sendo no entanto de notar que entre hamor e sexo existe uma ponte que pode ou não ser atravessada em algum momento mas que nem sempre essa possibilidade depende só de nós, o que nos deixa desde logo em maus lençois.

Por mim, acabo esta crónica trauteando junto com Caetano, “Eu faço samba e hamor a qualquer hora….porque não agora?!”