Aqui fica uma foto tirada pela Luísa Saavedra à faixa da Amplos, que nos revesámos a segurar com os pais. Isso porque a Amplos foi, na minha opinião, uma lufada de ar fresco no movimento activista lgbt. Calou a boca a quem gosta de dizer que somos uns egoístas e só pensamos em nós e, além disso, validou todas as reivindicações da comunidade com a legitimidade das famílias que as apoiam porque se cansaram de ver alguns dos seus membros serem tratados como pessoas menores. Parabéns, portanto, à Margarida Lima Faria e ao Paulo, que iniciaram a associação, bem como aos corajosos pais que saem do armário e se indignam com aquilo por que têm de passar os seus filhos.

Há mais fotos, tiradas pela Sandra (Underskin), que as há-de mandar para regalo de todas as tangueiras.

Adorámos ver o Belmiro Pimentel, sozinho com o seu cartaz X/Y (Grupo de Trabalho Identidade X/Y), a defender os homossexuais dos agentes da ordem, aplaudido e querido por todos. Coragem não lhe falta e o nosso apoio também não há-de falhar.

Foi triste o JN, que é aqui do Porto, não ter feito uma única referência à Marcha. É assim que se passa uma mensagem negativa e se silenciam os direitos dos cidadãos. É uma pena porque, como meio de comunicação social com jornalistas responsáveis à sua frente, devia ter consciência de que o código deontológico da profissão é para cumprir, mesmo quando não se concorda com o que está em jogo. É uma atitude muito feia que não deve ser encorajada. Por isso, quem quiser escrever em protesto, aqui tem: secdir@jn.pt. Muitas vezes, as pessoas acham que ficam impunes porque ninguém lhes diz nada. Vamos contrariá-las?

Outra coisa que esteve mal foi não haver avisos prévios de que a circulação iria estar cortada durante a marcha. Quem lhe concede o OK devia ter capacidade organizativa suficiente para avisar a população dos incómodos em que eventualmente incorre se tentar circular pelas zonas de passagem da marcha. O resultado foi uma buzinadela infernal quando, no início, as pessoas se organizavam para desfilar. Não havia necessidade.

Já no fim, quando todas as organizações participantes falaram para a multidão na Praça D. João I, as intervenções poderiam ter galvanizado as pessoas. Em vez disso, houve alguns que disseram coisas importantes, mas a maioria repetiu as duas ou três frases que toda a gente diz, todos os anos e em todas as entrevistas e em todo o lado. Não fazia mal nenhum as intervenções do fim da marcha começarem a ser um bocadinho mais preparadas e ensaiadas. É uma sugestão e a minha opinião. Ao fim de cinco anos de marcha no Porto e de onze em Lisboa, há que ter consciência de que as pessoas esperam um pouco mais de quem pega no microfone e debita as suas razões. E há mais entre marchas e outras lutas do que parabéns, estamos todos contentes e estamos aqui porque queremos ser aceites. Portanto, aqui vão os nossos votos para uma disputa criativa e original para o próximo ano.