Não há ninguém que jurando pela saúde da sua própria mãezinha, possa deixar de confessar o imenso suspiro de alívio que deu depois de terminar* um hamor.

Mesmo que seja misturado com lágrimas, recriminações, perdões, culpas, mágoas, essas coisas todas que são necessárias para justificar bater com a porta e até um dia destes, acabar com o empecilho é sempre motivo de grande mas discreto regozijo.

Ninguém com um mínimo de vergonha na cara, acaba um hamor com um sorriso a roçar as orelhas. Há que manter a compostura e pelo menos deixar passar  a ideia de que lamentamos muito não ter dado certo.

Por vezes, em caso de excepcional demonstração do sentimento, até se forçam uns olhos rasos de lágrimas ao chegar a casa e dar de caras com o armário vazio mas, minutos depois, quando a nossa roupinha ganha espaço, as gavetas arejam e a vida se espreguiça diante de nós cheia de intenções, é com grande satisfação que se constata que assim está tudo muito melhor.

Os primeiros dias até podem ser um bocado confusos, afinal de contas há que acabar com os resquícios da patetice e com algumas rotinas aparvalhadas. Mas, quando finalmente o frigorifico, os adereços, os livros e os cd’s voltam a ficar no mesmo sítio de meses atrás, derretemos a pensar que retomámos o nosso lar doce lar.

É mais ou menos assim como quem nos tira um peso de cima.

Affff!!!  Finalmente a paz, a reconciliação com o melhor de nós, o exercer do pleno direito de pensarmos e sermos pela nossa cabeça. Uma espécie de resgate da nossa alma.

Enfim sós, enfim nós.

Ah mulheres! Há lá coisa melhor que essa!!!

*Dispensa-se o final feliz. O facto de acabar já basta em si próprio.