Longe vão os tempos em que o poder dos sentidos fazia realmente sentido. Ver, ouvir, cheirar , apalpar e degustar tinha o condão de despertar verdadeiras tempestades de emoções e delírios. E de parvoíces, acrescento eu.

Aquele olhar de soslaio, o sorriso dissimulado por trás de segundas e terceiras intenções, o leve toque das mãos  mais que premeditado mas que deve parecer casual, o jeito de falar, a entoação martelada, doce ou súbtil das sílabas, a voz que faz estremecer, enfim, o tomar nas próprias mãos o objecto do encanto e do desejo.

Mas isso era no tempo em que as relações duravam mais que os hamores e as pessoas se mantinham juntas até que a morte as separasse. Com ou sem hamor.

Nos tempos que correm,  tudo isso foi substituído pelo poder endemoinhado da internet e cada enter que damos é um provável passo a mais para o abismo. E quando aqui falo em despencarmos no precipício, sei que todas vocês já entenderam muito bem a que me refiro.

Blog após blog, chat para cá chat para lá, comentáriozinho aqui mas também ali e vai daí o caos está instalado na nossa vida. De um momento para o outro, entre um site e um link, lá estamos nós a pensar naquele interessante dixote que alguém colocou por lá, naquela míuda que nos parece tão engraçada, no próximo encontro das lesgiras.

Ah! O que é um olhar profundo e emocionado nos olhos da outra, perante o efeito magnetizante e paralizador de um LOL, um RSRSRRS ou mesmo um KKKKKKKK?

E pronto, o caldo entorna-se como quem não quer a coisa mas querendo. Será que me faço entender?

Portanto minhas queridas parceiras destas linhas, em vez andarem para aí a deixar cair lencinhos e a seduzir as incautas, vão mas é ver sites de montanhas, culinária, rendas de bilros….sei lá…..assim coisas menos complicadas que as mulheres.