– Truz! Truz! Truz!

 – Quem é?

 – Sou eu, o hamor. Posso entrar?

 – O hamor?! Aqui? Mas o que é que vem a ser isto?

 – Olhe, para dizer a verdade nem eu sei, mas mandaram-me bater aqui.

 – Hummmm! Isto só pode ser brincadeira. Diga-me cá, isto é para os apanhados?

 – Bom, só se a apanhada for você. Eu só estou a cumprir a minha função.

 – Mas o que é que eu faço consigo?

 – Sei lá. Acho que deve fazer o mesmo que os outros e as outras. Primeiro diverte-se, depois manda-me embora, chora e espera pelo próximo colega meu.

 – E isso tem alguma lógica? Ficar consigo e depois mandá-lo dar uma curva?

 – Eu também acho que não mas o que quer que lhe faça? O patrão diz que isto é a vida ou lá o que é….

 – Não, não e não. Não me parece nada boa ideia. Olhe, porque é que não vai fazer uma visitinha ali à rua de baixo e me deixa em paz?

 – Porque estas coisas não são como a gente quer. Isto acontece, é assim a modos que um furacão, uma tempestade, um tsunami, ninguém os deseja nem manda vir mas eles apresentam-se avassaladora e desajeitadamente e deixam marcas.

 – Aqui entre nós, diga-me lá só mais uma coisinha. Isto é negociável? Você podia fazer um preço e eu…

 –  Não se preocupe com isso. Pagará mais cedo ou mais tarde, é sempre assim. É bom que esteja preparado para isso.

 – Imploro-lhe! Por favor! O que é que eu posso fazer para se esquecer de mim e fazer de conta que não me viu?

 – Ah! Não sabe a quantidade de gente que já me pediu o mesmo….lamento! Parece que as pessoas têm mesmo que passar por isto.

 –  E se eu me recusar? Se fugir?

 – Para onde? De quem?  

 – Não sei, não sei, deixe-me só pensar um bocadinho a ver se me habituo à ideia. Entre, entre, não fique aí especado à porta, já que não há outro remédio….