Primeira: a palavra República é substantivo feminino (primas, a gente gosta destas coisas no feminino, há que admitir).
Segunda: a República surgiu como forma de derrubar os privilégios de uma mão cheia de famílias nobres e, consequentemente, a discriminação em relação aos direitos de muitos. Coisa com que nos identificamos plenamente, visto que também nos insurgimos contra um e todos os tipos de discriminação.
Terceira: porque na luta pela instauração da república em Portugal se distinguiram mulheres absolutamente notáveis no seu tempo, como Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete, Angelina Vidal, Carolina Beatriz Ângelo, Carolina Micaelis ou Maria Veleda.
Quarta: porque apesar do tempo que até os republicanos demoraram a perceber que tinham mesmo de deixar as mulheres votar, isso acabou por acontecer, graças à coragem e à persistência de muitas Portuguesas.
Quinta: graças à ‘coisa pública’ é que as pikenas começaram a ter acesso ao ensino, que até lá era coisa apenas de miúda rica e com pais liberais, ou seja, com muita sorte.
Sexta: a igualdade que a República reclamava acabou por ser a semente para muitas outras conquistas sociais para as mulheres.
Sétima: porque ainda que as primas continuem a achar que a palavra feminismo é um papão a evitar por causa dos pêlos por rapar nas axilas e nas pernas, mais o evitamento de perfumes saias e outros folhos mui queridos das representantes do sexo dito fraco, o dito palavrão feminista é apenas um sublinhar dos direitos que se devem a todos os seres humanos e não apenas a alguns. E não é um vírus desenhado para transformar as mulheres em solteironas feias que nenhum homem (ou mulher) aprecia.
Oitava: só no século da implantação da República (XX) floresceram tantas figuras femininas que ainda hoje nos encantam com os seus contributos para a nossa história, que até dói pensar na quantidade de outras figuras que até essa altura se evaporaram na idade das trevas da civilização só para meninos…
Nona: essa coisa da mariana portuguesa de maminha ao léu e barrete frísio a representar a liberdade, a fraternidade e a igualdade também é uma visão merecedora de destaque nestas páginas.
Décima: e última, mas não menos importante, a keiliana Portuguesa, que nos fica no ouvido logo de pequeninos (embora pudéssemos pôr umas coisas mais femininas em vez dos canhões/bretõe, lembrar-nos das avós deste povo e essas coisas na letra).