Já dizia a minha querida avozinha, a quem sempre reconheci um enorme saber todo ele de experiência feita, que, leiam bem, conta de três o diabo a fez.

Ora, já não bastava o mafarrico vir mascarado de coisinha boa e acelerador de ritmos cardíacos e outras ignomínias parecidas, ainda aparece, não tão fugazmente como se possa pensar, um terceiro elemento a deitar lenha para a fogueira, que é como quem diz, a dar a machadada final numa relação que já estava com os pés para a cova.

O terceiro elemento aparece mascarado de anjo de luz. É simpático, atencioso, delicado, tem rasgos de boa pessoa, capaz de ser um bom amigo e confidente nas piores horas. Além do mais, parece trazer uma lufada de ar fresco como há muito não se sentia.

Sabidão que é, o terceiro elemento dispara para todos os lados. Seduz disfarçadamente ambos os elementos da parceria, se uma não cair na rede, haverá de cair a outra e se vierem as duas, tanto melhor.

E, curiosamente, é bem recebido e até acarinhado entre o casal. As suas visitas passam de esporádicas e casuais, a encontros semanais religiosamente cumpridos, jantares, saídas nocturnas, enfim, tudo o que permita manter o trio unido.

Cada uma das partes parece confortável e até gostar do seu papel neste filme. E, nem tenho tanta a certeza assim, que os motivos para tal alegria, não sejam rigorosamente os mesmos.

Não tarda, começam as cenas de ciúmes e o que me dá mais vontade de rir, é que o ciúme não é relativo ao casal mas sim à atenção que cada parte dele merece do terceiro elemento.

É uma sedução tríplice que a cada dia se torna mais óbvia e em que tudo, ou quase tudo o que faz, diz, planeia, é a pensar nesse terceiro elemento que apareceu e que está ali mesmo à mão para o que der e vier, sobretudo o que der.

Algum tempo depois, nunca menos de duas semanas nem mais que mês e meio, o(s) flirt(s), pois que de sincero e genuíno não tem nada, consuma(m)-se. Ou, por outras palavras, acontece mais um episódio do famoso “roda bota fora” .

Trio desfeito, par desfeito, cada um segue o seu caminho até que o dito cujo, detrás de alguma esquina, volte a aparecer disfarçado de hamor. E o diabo que faça as contas.