Como é de calcular e temos vindo a conversar nas últimas semanas, ninguém passa pelo hamor incólume. Ou o hamor não passa por ninguém. Ainda não percebi quem passa por quem. Mas para o efeito tanto faz.

Hamar é desde logo comprar um passaporte para desgraças futuras. Sim, porque complicado que é, o hamor não acaba e pronto. Qual o quê! Para ser hamor tem que dar dores de cabeça, de barriga, achaques, crises de choro, nervos em franja.

Mas, mesmo sabendo disto, poucas pessoas conseguem resistir a se enfiar na boca do lobo. Bora lá hamar, sofrer, penar…..enfim, há gente para tudo.

E o preço minhas amigas, não são trocos, nada que um fundo de carteira possa liquidar.

Paga-se pelo que se fez, pelo que não se fez e quando as cosias acabam, constata-se que se paga também pelo que se podia ter feito, que até tivemos vontade, mas que desligámos a tempo, ou pelo menos adiámos.

Paga-se pelo mal que se fez e nos cobram em triplo, paga-se pelo bem que se fez e que nunca teve retorno.

Durante algum tempo até parece uma maravilha mas mais dia menos dia as facturas começam a aparecer com uma periodicidade esmagadora.

E às vezes já são tantas que ou não queremos ou já não temos como pagar, pois estamos emocionalmente falidos. Porquê? Ou porque deliberadamente já gastámos tudo ou porque nos deixamos extorquir por agiotas do hamor. Há desses, todos nós conhecemos esses exemplares que só sabem sugar.

Claro que há sempre os que dão sem receber o que até pode parecer justo pois é suposto o hamor ser altruísta, mas como nada é infinito, há um belo dia em que se questiona o que se está a fazer ali.

Mas como se isto já não fosse suficientemente complicado, há ainda o problema da moeda em que pagamos. Por exemplo, euros e reais têm valores diferentes, o que equivale a dizer que para a mesma soma exige-se mais a uns que a outros e muitas vezes é esta questão de câmbios emocionais que fragiliza as partes. Ou o que sobre delas.

Dificilmente duas pessoas usam a mesma moeda hamorosa e a bancarrota é o final anunciado.

Assim sendo, minhas caras, o melhor é não contrair dívidas. E ser coerente. Também nada de cobranças.

Amigos amigos hamores à parte.