“I am a lesbian not a woman” (Sou uma lésbica, não uma mulher), declarou Monique Wittig em 1978.

Monique Wittig (Foto de Babette Mangolte)

Filha do poeta francês Henri Dubois, Monique nasceu em 1935, na Alsácia. Frequentou a Sorbonne, Paris, nos anos 50. Em 1964 publicou L’Opponax, livro sobre a infância que lhe valeu o Prix Médicis e o reconhecimento de escritores consagrados.

Les Guérillères, publicado cinco anos depois, é uma colecção de poemas em prosa, revolucionário na forma e na linguagem, assim como politicamente. Nesta obra, Wittig emprega a expressão Elles (Elas) não como referência às mulheres, mas como um substituto do pronome colectivo masculino Ils (Eles).

Tida como obra de “libertação das mulheres”, este segundo livro de Monique Wittig já não foi recebido com tanto entusiasmo, mas é talvez o mais conhecido dos seus trabalhos.

As feministas francesas (Monique Wittig ao centro)

Em Maio de 1970 foi co-autora do que pode ser entendido como o manifesto das feministas francesas. Nos primeiros anos da década de 70 integrou grupos como os das Petites Marguérites, as Gouines Rouges e as Féministes Révolutionnaires.

Em 1973 publica Le Corps Lesbien, um livro de poemas considerado, por alguns, particularmente violento e mesmo misógino, mas também com um forte cariz erótico. Em 1976, sai Brouillon pour un dictionnaire des amantes, escrito com a sua namorada, Sande Zeig, com um carácter mais ligeiro e preconizando uma era dourada do lesbianismo. No mesmo ano, Wittig e Zeig mudam-se para os Estados Unidos, onde leccionou  em várias universidades, incluindo o Vassar College e a Universidade do Arizona, em Tucson.

O seu trabalho torna-se mais teórico a partir daí. Em 1992 publica The Straight Mind (Beacon Press), uma colecção de ensaios em que explica, nomeadamente como as categorias sexuais são socialmente construídas.

Monique Wittig considerava-se uma lésbica radical e, para evitar equívocos, afirmava: “Para mim não existe literatura de mulheres. Na literatura, não separo mulheres e homens. Ou se é escritor, ou não. É um espaço mental onde o sexo não é determinante. Há que dar espaço à liberdade. A linguagem permite isso. Trata-se de construir uma ideia do neutro que possa escapar à sexualidade.”

Teórica do feminismo materialista, estigmatizava o mito da”mulher”, considerava a heterosexualidade um regime político e acrescentava a tudo isso: “(…) e seria incorrecto dizer que as lésbicas se associam, fazem amor e vivem com mulheres, porque ‘mulher’ tem significado apenas nos sistemas económicos e de pensamento heterosexuais. As lésbicas não são mulheres.”

Monique Wittig morreu de ataque cardíaco a 3 de Janeiro de 2003, em Tucson.