Só quem não lida com papéis, dossiers e outras molhadas de folhas A4, nunca se apercebeu que o grande problema das questões processuais e laborais são precisamente os anexos.

A carta, o fax, o memorando, o despacho, tudo isso até pode vir disfarçado de simplicidade e alguma lógica, mas quando olhamos melhor e descobrimos, ou pela letra impressa ou pelo volume de folhas que nos enche a mão, os ditos cujos anexos, aí sim, vemos à distância as chatices a chegarem, sem vergonha na cara, prontas a estragarem-nos os planos de um dia de trabalho sossegado.

Primeiro há que ter paciência de ler o anexo, depois tentar entendê-lo e descobrir se tem efectivamente a ver com o assunto e mais tarde, se a tanto chegar o tempo, o engenho e a arte, dar seguimento à coisa.

Ora, com o tema “hamor”, o processo é invariavelmente semelhante e não menos complicado.

Desenganem-se minha parceiras destas crónicas, se pensam que o hamor chega leve e solto, pronto a ser usado, abusado, apreciado e usufruído, de uma forma simples, sem muitas delongas ou complicações.

Ao hamor, como se já não bastasse a sua confusão, trapalhice e anormalidade genéticas, acresce sempre um volume de anexos que não raras vezes, excede as parvoíces inerentes ao mesmo.

E quais são eles, perguntam vocês…..pois bem, leiam com atenção: pretensos amigos, família, frustrações marcantes, colegas, dores de cotovelo, défices emocionais, mentiras, falsas morais, ex-namoradas, traumas que julgamos irrecuperáveis, teimosias, empregos, distâncias, opiniões exteriores, calúnias, invejas, remorsos do passado, medos do futuro….e são tantos, tão densos, tão pesados, tão corrosivos, que não sobra espaço, força, vontade ou coragem de tentar.

Sabem aquelas coisas que só de olhar nos parecem um fardo tão grande e difícil de gerir que vamos procurando por todos os meios possíveis, evitar, adiar, ou então no outro lado do extremo, acabar o mais rapidamente possível para nos vermos livres daquela tortura?

O problema está, dizem os entendidos, que quando uma pessoa entra nessa canoa furada do hamor, adquire o pacote completo, quer dizer, os anexos também. E aí, o dito cujo que já de si não tem pernas para andar, está cada vez mais condenado ao insucesso ou pura e simplesmente a nunca acontecer.

Então, da próxima vez que perderem o juízo, a primeira coisa a fazer é ir logo perguntando “olha lá, há alguma coisa que eu deva saber?”, assim a modos que a avaliar o tamanho dos anexos para decidir o que fazer com eles.