Fosse o hamor essa coisa inexcedível que alguns ainda perdem tempo a defender e ele seria um exemplo de bem querer, boas acções, melhores intenções e vontade de ser cada dia melhor e maior.

Mas, como já todas nós sabemos, o hamor é patético, ridículo, contraditório e só serve para estragar a vida das pessoas

O hamor é assim uma espécie de preço a pagar, uma forma de redenção pelo que somos ou de vingança pelo que nunca chegaremos a ser.

E faz-se pagar, de início em prestações suaves mas lá para o fim já num montante tal que dá cabo de qualquer orçamento emocional, por bem suprido que algum dia tenha sido.

O hamor até pode chegar cheio de boas intenções mas tem dois vectores de dura cerviz, de diferentes têmperas, quereres, desejos e acima de tudo expectativas que raras vezes coincidem.

Então, aquilo que começou num projecto conjunto, ou pelo menos uma das partes pensou que sim, vai aos poucos perdendo gás e cedendo perante as desatenções ou o menor investimento de alguém que se julgou seguro de todo o hamor que lhe teria que ser prestado, oferecido, assim a modos que uma vassalagem constante pelo simples facto de existir.

Tudo bem que durante algum tempo, curtinho, diga-se, este hamor pode ir sobrevivendo, uns dia mal e outros pior mas um dia o dador animado acaba por se olhar no espelho e ver um rosto sem alma, alguém que já não conhece, gasto, invisível de tudo o que sempre julgou ser.

E aí, nesse momento, dá-se conta que também merece, também quer…..

O jugo hamoroso deixa de fazer sentido e o pagar na mesma moeda passa a ser tratamento corrente até que finalmente se perceba que não é aquilo, nem é por ali que definitivamente se quer ir.

Entendemos por fim que o hamor que queremos dar não é necessariamente o mesmo que a outra quer receber. Nem no tamanho, nem na forma, nem na entrega, nem……