Permitem-me a minha falta de bom senso e de vergonha na cara, socorrer-me das palavras do poeta para escrever este penúltimo post do hamor.

Que o hamor seja infinito ainda que dure, impõe desde logo que haja hamor, que ele exista, resista, persista, através dos dias, anos e décadas, perante todas as adversidades com que se depara e em que repara constantemente.

E para quem pense que relações de muitos anos são sinónimo de felicidade a rodos, o melhor é começarem a mudar a agulha do raciocínio. Muitas vezes, se não a maioria, o hamor aparece disfarçado de bodas de prata, ouro, diamante, mas no final das contas, os brindes que se fazem mais não são que à falta de hamor próprio, vontade, iniciativa e ao egoísmo desmedido, base de muito “grande hamor” que por aí anda transvertido de politicamente correcto.

O hamor ser infinito ainda que dure, aprendi há pouco tempo, exige compromisso de fazer melhor todos os dias, para que apesar de todo o tempo que já tenha passado, chegar a casa continue a ser o melhor momento do dia e aquele em que nos despojamos do eu para passarmos a ser o nós.

Fazer o hamor infinito é pois o grande desafio que se nos apresenta se haveremos de ser dignos de olhar para trás e termos a certeza que por muito grande, forte e bonito que tenha sido até aí, será maior e melhor em cada dia que passe.