É coisa que devia ir de mão dada, embora não seja obrigatório: que uma lésbica, reconhecendo-se como tal, tenha consciência de que é alvo de discriminação; por conseguinte, como lésbica, por uma questão de coerência mental, se reconhecer como feminista e contra qualquer tipo de discriminação contra mulheres e outros seres.

O bónus: não lhes crescer pêlo no peito, nem lhes engrossar a voz, nem sofrer da obrigatoriedade de ficarem para tias, ao contrário da mais popular crença…

O mais difícil de entender e de pôr em prática, no entanto, é o dever de não cair em nenhuma outra forma de discriminação. Isto porque, entendido o mecanismo da discriminação como uma prática que se faz sempre num único sentido − de cima para baixo ou, mais claramente, de mais fortes ou mais numerosos para mais fracos e menos numerosos −, está iniciado o iluminadíssimo processo de não se fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós.