Ao contrário do que é habitual, hoje venho aqui desdizer um adágio popular que justifica muitos não ter, não ser, não viver, não poder, nas vidas de todos nós.

Longe de mim defender a tese de que o hamor e o querer muito são directamente proporcionais aos quilómetros entre as partes. Nada disso.

O que eu quero dizer é que estar longe não justifica deixar de hamar, gostar, respeitar e querer que resulte.

Muito menos servirá para dar como desculpa face a comportamentos desviantes, cobardes, menos nobres que eventualmente se escondam atrás do facto de que “o corpo é fraco”.

Hamar ao longe é antes de mais nada um desafio. É querer de forma mais forte, é investir ainda mais, é dar corpo e alma pelo que realmente desejamos.

É saber gerir saudades, desejos, faltas, com um grande sorriso, com força, com coragem, é dar colo e mimo quando as fragilidades do outro nos aparecem a pular ao telefone, no monitor, nos sms’s.

Hamar à distância é o dobro

É ser mais forte, mais poderoso, mais generoso e transformar por artes mágicas a falta que sentimos no prazer do abraço que nos aguarda daí a dias ou meses.

Hamar à distância é uma coisa assim a modos que impensável mas acontece aos melhores. E pode ser a melhor coisa que nos aconteceu na vida.