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Um destes dias ainda vou ser uma prima/lésbica a sério, juro que vou. Assim a acreditar que mais ninguém sabe, a não ser eu e umas quantas eleitas para um meu círculo exclusivo de amizades. A desdenhar todas as outras criaturas que acham que merecem o mesmo rótulo, dessas que dão nas vistas e não são, evidentemente, dignas de o ostentar.

− Mas o que estás tu para aí a dizer, mulher?

− Não me interrompas o raciocínio.

Ainda vou ser uma prima daquelas que têm uma ideia claríssima do que é ser prima, sem essas pindériquices próprias de gente de subúrbio, vestidas assim como se as primices fossem uma questão de camisa xadez e bonés de beisebol, sapatões e cabelo cortado à macho.

− Então tu agora é que sabes quem é que pode ou não ser prima?

− Bem sabes que não é por aí. Há é coisas ridículas de mais para serem aceitáveis.

− E tu, evidentemente, tens o monopólio da verdade e do aceitável…

Essa gente há-de perceber, um destes dias, que eu não tenho nada que ver com as camisas vestidas por cima das t-shirts, com os modos machões e associações que só nos dão mau nome. É tudo uma questão de nível.

− Ah… Já percebi. No fundo, és contra a democratização do nível.

− Não digas disparates.

− Não só não é disparate, como estou siderada com a sua capacidade discriminatória.

− Discriminatória? Eu?!?

− Claro. Há quem nos discrimine por sermos primas. A menina discrimina não só as primas como o seu nível social, segundo os seus parâmetros claro.

− Que disparate! Esta conversa está terminada.

− Ditadora, fascista, discriminadora, homófoba!

Perde uma prima o seu tempo a tentar melhorar a imagem para acabar nisto. Um destes dias…