Em primeiro lugar convém dizer que não venho aqui defender e muito menos acusar qualquer das partes. E são muitas, podem crer.

Que se deve, que se têm, que é obrigação, que nem pensar, que um dia talvez, que nem é equacionável, que não se pode, que é obrigatório, que é uma questão de respeito, que é uma burrice, que é arranjar um monte de problemas, que pode justificar tudo, que pode não dar em nada, enfim, um sem número de causas justificados por uma quantidade ainda maior de motivos.

Assumir perante o mundo que se é homossexual, ainda é, na minha modesta opinião, um acto de coragem. Não vale a pena estar para aqui a dizer que o mundo mudou, que tudo é aceite, que as pessoas já nem ligam, tudo isso é conversa da treta e qualquer pessoa que ler estas palavras sabe bem do que falo.

Se o mundo no seu todo considerado já nos assusta e faz meter a marcha atrás, a família então é quase sempre o nosso calcanhar de Aquiles. É aquele ponto em que nos sentimos frágeis, vulneráveis, indefesos.

Então, adiamos, empurramos com a barriga, inventamos, contornamos, damos jeitos de cintura e andamos nesta roda viva até que um dia nos perguntamos porquê.

E entramos em ebulição mental, emocional, racional e eu sei lá que mais. E vamos ficando sem graça, insonsos, tensos, presos dentro de um sítio onde só a verdade nos pode libertar.

É aí que damos conta de que contar ou não contar não tem nada a ver com os outros, ou pelo menos que esse não é o verdadeiro nem principal motivo.

Nós somos o motivo.

Mas só sabemos isso quando encontramos aquela pessoa por quem vale a pena contar. E, se calhar, só aí faz sentido. Digo eu, claro.