De um momento para o outro, os serviços, comércios e locais de interacção de pessoas e bens, começaram a tremer ante o mais que provável aparecimento da temível ASAE, que irrompe de forma desbragada, investiga, pergunta, vira do avesso, vê por trás do óbvio, verifica legitimidade de produtos, qualidade da oferta, multa, fecha portas, sacode a vida das pessoas de pernas para o ar.

O que não deixa de ser curioso é que antes destas minuciosas inspecções quase pidescas, as coisas desenrolavam-se com uma normalidade que ninguém contestava. Nem quem dava e muito menos quem recebia.

As coisas fluíam.

Mais ou menos como o hamor.

As questões surgem quando alguém assim como quem não quer a coisa, nos questiona sobre motivos, razões, desculpas, intenções, sobre os porquês da nossa vida decorrer de determinada maneira.

Num primeiro impacto nem sequer percebemos a questão.

Num segundo momento atiramos com um “como assim?”, mais numa tentativa de ganhar tempo do que de querer realmente saber o que o outro quer dizer.

No final, como nem sequer fazemos questão de mudar coisa nenhuma, trancamos portões e janelas às inspecções periódicas de amigos, família, daqueles que por estarem de fora têm outra perspectiva das coisas, talvez não a mais certa, a mais lúcida, mas ainda assim uma diferente da nossa que sempre nos será útil, pelo menos, saber que existe.

Pelo sim pelo não, é bom de vez em quando inspeccionar as motivações que nos levam a continuar um hamor.

E ter a coragem suficiente para ficar ou para abrir outros mares e outros ares, mesmo sem saber onde nos levarão.

Só para evitar a coima, claro.

 

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