As novas oportunidades surgiram como forma de enquadrar, através de certificação oficial, o reconhecimento das velhas competências. Quer isto dizer que as pessoas já detém em si mesmas as qualidades e capacidades, mas precisam, através de uma prova, de mostrar do que são capazes.

Na vida e no hamor, parece que todos nós também andamos sempre à espera das novas oportunidades. Sabemos o que queremos, ou pensamos saber, o que desejamos, o que nos faz felizes, mas adiamos prestar provas porque aí ficamos comprometidos e é o cabo das tormentas.

E em cada nova oportunidade que surge, invariavelmente imaginamos ver o mapa da mina que nos levará ao triunfo sobre todos os medos, receios, dúvidas e incertezas sobre mil e uma coisas.

Porém, creio que na maior parte das vezes, as novas oportunidades apenas nos trazem vozes, risos, corpos e cabeças diferentes. Bom será quando trazem mais algum extra, muito bom é quando não levam nada do que tínhamos dentro de nós. Ficamos quites, menos mal.

As novas oportunidades não são portanto os outros que entram e saem da nossa vida, mas sim a nossa postura perante o mundo, o hamor, as relações, o que queremos construir.

Também por este motivo, acho engraçado o termo “novas oportunidades” porque no fundo, na essência, o que é determinante é tudo aquilo que já se aprendeu, reflectiu, acertou, chorou, riu, hamou, ou melhor, toda a bagagem e património afectivo-sócio-cultural que nos trouxe até aqui.

As novas oportunidades somos nós em cada dia que nasce e que estende diante de nós uma multidão de possibilidades que testam a nossa fibra, através de cada decisão que tomamos.

As novas oportunidades, em sentido literal ,não existem. O que existe são as velhas oportunidades à luz do que pretendemos fazer das nossas vidas. E cabe a cada um de nós validar o que achar que vale a pena.