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A semana passada, na converseta com oito homens feitos e de barba rija, a propósito da concordância entre sujeito e verbo numa frase, alguém se lembrou de dizer: “É como o filho, ou a filha do Nené…” E grande risota geral, sobre ele que é ela, ou ele, o filho do jogador do Benfica que resolveu fazer-se operar para poder assumir a sua personalidade feminina.

“Afinal”, perguntei eu, a fazer-me mais parva do que ocasionalmente me gabo ser, “é ele ou ela?”

“É um ele que virou ela”, esclareceu um dos pikenos.

“Ah”, disse eu, “Se é um ele que virou ela, é ela, não?”

“Pois…”, concordaram, olhando em volta, uns para os outros, em busca da necessária aprovação.

“Já pensaram”, continuei eu, “que se nós não insistíssemos tanto que só se pode ser ele ou ela, as pessoas como essa de que estão a falar talvez não se achassem obrigadas a mudar de sexo para ser o que acreditam que são?”

Olharam para mim, sérios. E eu fiquei com a certeza de que, para a próxima, ponderarão antes de abrir a boca para comentar o filho ou a filha de alguém que tenha ou não mudado de sexo.