As primas e os gatos © Tangas Lésbicas

Dizia um amigo ontem, que todas as lésbicas têm gatos. Pensei de imediato que, se todas as primas têm gatos (generalização não sustentada por qualquer verificação estatística válida), será porque todos os gays têm cães? Ora, além de ser este outro facto não verificado cientificamente, posso dizer que conheço primas com gatos e primas com cães; primos com gatos e primos com cães. Já agora, reconheço como possível o facto de haver quem apenas conheça primas só com gatos ou só com cães; assim como primos só com gatos ou apenas com cães.

Mas o que raio quererá dizer, de facto, a afirmação todas as lésbicas têm gatos? Ou outra coisa qualquer? O que faz com que, de repente, alguém se torne subitamente mais consciente de primas e primos com gatos ou com cães? Será uma questão de moda, ou de simples embirração, com um facto que se torna mais comum ou mais conhecido? Sim, porque eu cá também conheço primos e primas que não têm gatos nem cães. Assim como primos, primas e homos diversus que têm pássaros, coelhos, porcos, iguanas, cavalos, vacas ou porcos.

Alguma importância há-de ter esta questão, para que se diga que todas as lésbicas têm gatos. Assim como se fosse uma coisa quase negativa ou determinante para o facto de se ser lésbica. Será? Qual é a diferença entre se ser dono de um gato, de um cão ou de qualquer outro animal? Além, obviamente, de todos terem de partilhar o ciclo de sonos das suas criaturas de estimação, de as alimentar, de limpar os seus dejectos e outras coisas que normalmente não fazemos por seres humanos com quem, aparentemente, temos mais afinidades? Será que, implicitamente, quando se diz que todas as lésbicas têm gatos, se está a insinuar que fazem mais pelos seus amigos peludos que pelas namoradas ou amigos diversos?

Mesmo assim, se todas as lésbicas têm gatos, de verdade, de verdade, o que é que isso contribui para a nossa felicidade? E o que havemos de pensar das lésbicas com gatos que antes tiveram cães, e antes disso tiveram coelhos, e ainda antes disso tiveram porquinhos-da-Índia e por aí fora? Haverá também uma insuspeitada categoria de promiscuidade associada a esta coisa dos animais de estimação?

Tudo isto são questões de grande peso e ainda insuficientemente pensadas e debatidas. Há que voltar a esta temática com maior informação, disposição, tempo e capacidade de análise.

(A propósito, conheci uma prima que só gostava de polvos e, antes disso, tinha a mania dos peixinhos dourados. Isso, claro, depois de passar pela experiência de ter cães e gatos, peluches, chupetas e outras coisas…)