Perdemos tanto tempo a discutir o sexo dos anjos, que melhor seria conceder-lhes o direito de usarem o que quiserem, evitando assim maiores dramas e traumas.
Isto tem que ver com o pedido de um amigo, para apoiar uma causa que lhe é particularmente cara, a das pessoas que querem mudar de sexo.
É claro que apoio, sem dúvida alguma, tudo aquilo que possa tornar as pessoas mais felizes. Mas o mais importante, quanto a mim, é acabar com essa ideia de que a humanidade está dividida em dois únicos conjuntos de características biológicas.
Em termos de fisiologia, macho e fémea são realmente dominantes. Atribuir-lhes papéis fixos e rígidos é que é uma invenção humana, que acaba por se pagar com língua de palmo. Pois independentemente do sexo que se tenha, por que não deixar a cada indivíduo a tarefa de o interpretar como deve e deseja?
Quem raio decidiu que temos todos de ser machos e fémeas? E por que raio não nos lembramos do ou dos iluminados que tiveram tal ideia?
Mais importante que ser gay ou lésbica, ou até mudar de sexo, fudamental é que entendamos todos que, ser feliz porque se decide ser o que está na nossa natureza, é que é importante.
Assumir a consciẽncia do que se é e decidir em função disso é fundamental, tanto como ter a liberdade de mudar, dentro dos limites da nossa capacidade, o nosso corpo e o nosso sexo.
Se todas as baterias estivessem apontadas para a reeducação da nossa forma redutora de encarar os sexos, que os divorcia irremediavelmente do contexto da personalidade de cada um, muitos dramas se evitariam.
Essa é, de facto, a liberdade a conquistar.