All rights @ Tangas Lésbicas

Aqui há dias chegou-me uma mensagem pelo telemóvel: “Vens à manif?”
Não respondi, nem fui à manif. Por várias razões, mas as principais foram, de facto: por que raio hão-de ser tão céleres a convidar-me para uma manifestação de direitos dos indignados ou de outros quaisquer?
Sempre que chega a altura da Marcha Pride, também vou perguntando se querem ir e a resposta é sempre que não dá jeito, que não vão a essas coisas ou que isso é coisa tua.
Ora, se a Marcha do Orgulho é só para quem tem direitos a reclamar para a comunidade lgbt, depreendo que ninguém vê necessidade de os reclamar por nós – o que é exactamente igual ao facto de não acharem que precisemos tanto assim de direitos…
Portanto, por que raio hei-de eu juntar-me às manifestações que reclamam direitos, se o mesmo não é feito por mim?
Será assim tão difícil entender que os direitos são universais e que não interessa que sejam lgbt, de trabalho, financeiros nem outra coisa qualquer, porque são direitos e devem ser reclamados por qualquer pessoa?
Por que razão os meus amigos, que se dizem tão interessados e solidários com as minhas causas lgbt, quando chega a altura de participarem na Marcha, se descartam tão facilmente, para depois me pedirem que me manifeste com eles noutras causas que eles já acham dignas da sua participação?
Deve ser porque, de facto, os meus direitos ainda não atingiram, para eles, a mesma importância dos outros direitos todos. Continua a haver direitos Classe A, B, C e por aí adiante. E amigos que têm uma forma peculiar de exercer a sua amizade.