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Tudo o que uma prima precisa é que lhe deixem um vaso de flores à porta logo de manhã. E fica feliz, agradecida, até começar a pensar no que lhe vai acontecer às costas se tentar arrastar o vaso para o lado, para o tirar do caminho.
De repente, em vez de estar a apreciar a beleza das plantas floridas que lhe puseram à frente, está a olhar em volta, para ver se alguém poderá estar a observá-la quando der um pontapé ao raio do mono que lhe puseram à porta. Não, não está ninguém a espreitar, pelo menos que ela consiga topar. Mas tem a certeza de que hão-de estar de tocaia por trás das persianas. Um vaso daqueles não passa despercebido, com um raio.
Tem de afastar o cachorro, que teima em cheirar e cheirar. Está a planear largar ali uma mijadela, sem dúvida. Mas quem raio se lembraria de deixar um vaso daqueles à porta de casa, logo pela matina?
Acaba por se dobrar e arrastar penosamente o trambolho. E pensa por que motivo haverá tanta gente convencida de que os anúncios de desodorizante, em que desconhecidos oferecem flores, são para pôr em prática? Há-de haver, com certeza, forma de treinar as pessoas para não confundirem a ficção com a realidade.
O vaso pesa como o diabo, que coisa! Espero que a criatura que o deixou aqui à porta leia isto e perceba o incómodo que representa. Vou lá dentro buscar água com lexívia para regar o mono e já venho.