Pergunto-me se algum pai ponderaria chamar à sua filha Maria Rapaz, assim como se chama uma Maria José ou uma Maria Luís. Porque, pelo menos na aparência, é um termo simpático, quase inócuo. Mas será que alguém, além das próprias, tem consciência do sofrimento interior que ele acarreta? Tudo porque, a partir de determinada altura, no fio da História, um grupo de pessoas decidiu que os seres humanos tinham de passar a estar divididos segundo o seu aparato genital? Assim como se ser louro ou moreno determinasse um conjunto rígido de qualidades e defeitos. Ou como é brutalmente circunscrito o universo de algumas pessoas, que à falta de horizontes, tendem a obrigar toda a gente a permanecer nas suas próprias fronteiras. Como quem tem medo de chegar à borda do mundo e cair no vazio…