Da Psicologia para a ficção: Margarida Mendes da Silva lança «Check-In».

Da Psicologia para a ficção:
Margarida Mendes da Silva lança «Check-In»
“No amor tudo é absolutamente relativo”
2011-12-14
Por Susana Lage

Margarida Mendes da Silva (Pagu)

Na próxima segunda-feira, Margarida Mendes da Silva lança «Check-In». O livro procura “desmistificar a visão institucional do amor como uma tríade inquestionável de razão-obrigação-eternidade”, afirma a autora.
“Acredito sinceramente que o amor é o nos faz querer ser melhores, o que pode fazer um mundo melhor, o que nos faz felizes, mas para isso há que lhe dar a liberdade dele ser por ele”, diz.
Margarida Mendes da Silva formou-se em Psicologia Clínica no ISPA, trabalhou no Hospital Júlio de Matos e fez clínica privada. Deixou a Psicologia para se dedicar à escrita e tem conseguido esquivar-se à análise dos problemas alheios, exceptuando os das suas personagens.
“Deixei a Psicologia há vários anos e posso confessar que ainda não me arrependi. Abro uma natural excepção para as minhas personagens, que sabem poder dispor de mim”, explica.
«Check-In» é uma história “simples que se pretende descontraída” sobre pessoas comuns que vão acumulando alguns sonhos, desilusões, esperanças, desgostos, vontades, equívocos, amores, desamores e umas quantas resignações. Trata-se, afinal, de situações amorosas habituais mas que aqui se desenrolam num espaço físico e temporal limitado onde não é possível adiar decisões ou esperar que o tempo ou os outros decidam por nós.
“Inventei esta história para me divertir, para rir de mim mesma e, no fundo, talvez para mostrar que no amor tudo é absolutamente relativo”, justifica Margarida Mendes da Silva.
Mas aqui há uma ‘pitada’ de Psicologia Clínica, nem que seja na construção das personagens. “É inevitável que tal aconteça, até porque a minha maior preocupação e o meu maior foco de recolha de elementos sobre quem se encontra à minha frente, mais que qualquer teste ou escala métrica, é a observação da pessoa. De como caminha, se senta, fala, coloca as mãos, respira, olha, enfim, de todo um conjunto de sinais que me mostra quem ela é”, diz a autora.
Assim, pode dizer-se que esta obra tem ligação com a psicologia dada a análise que é feita às personagens. “Quando escrevemos sobre as pessoas, é impossível não as vermos para além de uma forma e de uma voz. É importante perceber a essência de cada um, tanto aquilo que é, como o que diz ser, como o que queria ser, como o que pensa que é”, refere Margarida Mendes da Silva.
A autora estreia-se no mundo da escrita de ficção com «Check-In» mas já está a preparar um próximo livro. “Três dias depois de ter acabado este livro comecei a escrever o próximo. Sei o início e o final”, avança. E esta próxima obra vai abordar as relações humanas nas suas diversas vertentes, onde existem amores, dúvidas, conflitos, esperanças. “No fundo, a temática do quotidiano de todos nós, onde invariavelmente nos confundimos, acertamos, erramos, tentamos de novo, onde as coisas, as oportunidades e as pessoas nem sempre estão nos lugares e horas certas e onde, de certa forma, nem tudo é o que parece ser”, descreve.
Sobre a autora
Margarida Mendes da Silva nasceu em Lisboa a 24 de Julho de 1966. Formou-se em Psicologia Clínica, trabalhou no Hospital Júlio de Matos, fez clínica privada, deu aulas de Educação Física e trabalhou como técnica de expropriações. Como música preferida elege “a nata” da Música Popular Brasileira. E como livros favoritos “todos os da Isabel Allende e o inesquecível «O Caçador de Pipas», de Khaled Rosseini”. Nos seus tempos livres gosta de escrever, viajar, praticar desporto, cozinhar e ir ao cinema. Sonhos: “Ganhar o Óscar de melhor argumento original, conseguir fazer macarrons perfeitos, conhecer todos os sabores do mundo e ouvir alguém na rua dizer-me que as minhas histórias são parte da sua viagem”, descreve a própria.