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— Já lhe disseram que às quintas temos mais hipóteses de ter sorte?
— Ia escrever justamente sobre isso agora.
— Não me diga… Aconteceu comigo, sabe? E tudo começou com essa pergunta.
— Inscreveu-se em algum curso de bruxaria e não me disse nada?
— Menos, menos. Fui tratar de umas multas às Finanças.
— E isso transformou a sua quinta-feira num dia de sorte? Ou caiu num caldeirão de sopa de cogumelos alucinogénos?
— Deixe-me acabar antes de se pôr para aí com a sua bateria de respostas apocalípticas.
— Deixo, pronto. Foi às Finanças, e…
— Fui atendida por uma pikena que me perguntou logo se gostava das quintas-feiras.
— E gosta?
— Sei lá se gosto. Estava mais preocupada em desviar-me de uma possível multa, mas disse logo que sim, que não tinha nada contra.
— Não me diga que a pikena estava a esticar-se para o seu lado…
— Como é que adivinhou?
— Fiz um curso de bruxa, com más notas, mas dá para o gasto. Sobretudo quando uma funcionária cinzentona de uma repartição pública se põe a fazer conversa desse tipo.
— Não é que fez mesmo? Nem queria acreditar.
— A menina não acredita, mas pelos vistos a pikena cinzentona da repartição acredita e faz bem, porque pelos vistos a menina caiu que nem uma patinha nessa conversa fiada.
— Ora, qual é o mal? Há que séculos que não me acontecia nada assim.
— Para lhe calhar na rifa a menina da repartição, mais valia que não lhe tivesse acontecido nada durante mais uns séculos.
— Credo! Preconceitos? Nesta altura do campeonato?
— Nenhum, pelo contrário. Só que, conhecendo-a eu como conheço, e sabendo que tem tendência para namorar tudo o que é gente chata e desinteressante, estava à espera que arregalasse o olho lá para as bandas do casino do Mónaco, não numa repartição pública.
— Olhe, eu nem lhe dou resposta, porque se formos a contar as primas chatas que lhe calharam em rifa, caía com certeza para o lado.
— Pronto, concordo. Diga-me só que não marcou ainda nada com ela, que teve juízo e que vai esperar pelo menos uma semana para lhe telefonar.
— Nada disso. Vamos jantar logo.
— Santa Abacate nos valha… Jantar, vinho, cama, casamento! Ainda por cima no Inverno.
— Tem cada uma!
— Aposto já cem euros como vai ser como eu disse.
— A menina, uma sovina, a apostar cem euros?
— Pronto, se acha pouco, aposto mil.
— Como se fosse possível… Aposto, só para lhe sacar a massa.
— Ahahah! Vão ser os mil euros mais fáceis de ganhar da minha vida.
— Está muito segura…
— Não estaria, acredite, se conhecesse alguma prima capaz de jantar, beber vinho e não ir para a cama a correr, e para no dia seguinte não estar já a trocar juras de amor eterno. Para a semana quero o dinheirinho aqui, na minha mão.
— Até parece que somos todas umas carentes e crentes, a acreditar em historinhas de encantar…