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— A amiga podia indicar-me onde comprar uma capulana assim bonita como a sua?
— Para quê?
— Como para quê? É mais porquê, por ser bonita.
— Ah…
— …?
— O quê?
— Vai dizer-me onde comprar a capulana?
— Agora não me dava muito jeito. Não se importa de se afastar um bocadinho para ali?
— Estou a incomodar? Só quero uma capulana bonita como a sua.
— Ora, que insistente… Circule, sua turista desmiolada!
— Que coisa mais desagradável acabou de dizer. Que fiz eu para lhe merecer tal desrespeito?
— Que fez? Que fez? Está a tapar-me e eu quero ser vista, entendeu? Desampare-me a loja!
— Que mau feitio. E eu que achei que as pessoas aqui eram todas cordiais e hospitaleiras…
— Irra! Estou eu aqui a pavonear-me de capulana, para atrair as atenções da prima que está ali no posto de turismo, e a menina a estragar-me o esquema…
— Qual prima? Qual posto de turismo? Vou já lá perguntar onde comprar a capulana.
— Livre-se! Eu vi primeiro!
— Mas que raio… Deixe-me ver: aquela miúda gira ali na janelinha ao lado dos câmbios?
— Só me faltava a competição agora, na mesma esquina que escolhi para catrapiscar a garota!
— Oh… Desculpe. Não tive intenção. Mas a miúda é mesmo gira. Vou lá perguntar-lhe da capulana.
— Nem pensar! Eu já lhe fiz a mesma pergunta ontem e ela pôs-me os patins.
— É por isso que está aqui vestida dessa maneira?
— Claro. Tinha de lhe mostrar que queria mesmo a capulana.
— Ahahah… Fica-lhe mesmo bem. Até pensei que a menina era de cá.
— Sou americana, mulher! Não se nota logo?
— Assim disfarçada, não. Olhe que me enganou bem.
— Isso é um comentário racista?
— Ó amiga, eu sou portuguesa. Nós descobrimos novos mundos e novas raças!
— Ok, ok, muito prazer e vá andando, sim?
— Andando? Eu vou é convidar a menina do turismo para tomar uma cervejinha connosco.
— Está a falar a sério?
— Claro que sim. Ainda não reparou que não vai lá com a história da capulana?
— Está bem, já percebi. Mas eu vi primeiro!
— Ui, não admira que vocês se achem os donos do mundo. Vamos lá às louras.
— Louras? Eu não quero louras…
— Quer deixar actuar a diplomacia lusa, ou vai ficar aí a secar a capulana até parecer carne de búfala seca?