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Já não é a primeira criatura de palmo e meio que me aborda desta forma (a culpa é da baby-sitter),; começo a acreditar que há um fado qualquer nesta história. Desta vez foi a adorável filha de mais um amigo, uma menininha de cinco anos, com trancinhas e uma Barbie ao colo:

— Sabes? Quando for grande vou ser como tu.
— Velhinha e cansada?
— Não.
— Hum… Gordinha por causa dos doces que comi na tua idade?
— Também não.
— Assim, sem vontade de brincar com barbies?
— Não.
— Deixa ver… Não digas, que eu adivinho! Chata e sem paciência?
— Não, não…
— Com dores de costas?
— Não.
— A preferir a sopa ao doce?
— Tu comeste doce, mas eu não te vi comer sopa…
— Pois é. Já estou a dizer tudo ao contrário. Deve ser da idade. O que é, então?
— Tu sabes…
— Acho que sim, que sei. E também acho que tu pensas que também sabes .
— Eu sei. Sei muitas coisas.
— Já somos duas. Mas olha: o que tu não sabes é que não precisas de ser como eu, ou como outra pessoa qualquer.
— Não?
— Não. Mas há muita gente crescida que também não sabe. Tu só precisas de ser como és.
— Como?
— Como quiseres ser.
— Posso ser tudo, tudo, tudo?
— Tudinho. Basta achares que podes ser qualquer coisa e, pimba! Podes ser. As pessoas podem sempre ser o que querem. E quando acham que não podem, são muito infelizes.
— Hum… Posso ser má?
— Claro que podes, se não te importares que os outros fujam todos de ti.
— Mas isso não é bom…
— Pois não. Há muita coisa que fazemos que não é nada bom para nós, nem para os outros.
— Está bem. Agora vou brincar.
— Vai lá.