— Não percebo por que é que as segundas-feiras têm de ser os dias das mulheres.
— Isso é uma pergunta?
— Se puder dar-me uma resposta, é sim.
— Bem, cá vai: as segundas-feiras não têm de ser os dias das mulheres nem de coisa nenhuma. Aqui no Tangas é que nos lembrámos que podia ser um bom tema, uma vez que as segundas são regidas pela Lua, com todas as suas ligações ao feminino, etc.
— Pois… E depois chamam-nos feministas e confundem-nos com as wiccas que andam pelo Monte da Lua à noite nas rezas e mézinhas e rituais de arrepiar a nuca.
— Toda a gente tem o direito de nos confundir com o que quiser. E nós refutamos — se nos apetecer…
— Acho mal.
— Pois eu não vejo nenhum mal nisso. Essa é como as das primas que acham mal tudo o que seja mostrar o que somos. Ou seja, toda a gente pode mostrar o que é, mas a nós fica-nos mal. Por isso, não acho nada mal, nem mesmo o que me parece mesmo mal. O que eu não quero é que me imponham nada, só porque não concordam comigo.
— Isso quer dizer que vai continuar a tratar as segundas-feiras como os dias das mulheres?
— Exactamente.
— Mas ontem não saiu nada das segundas das mulheres ou das primas.
— É verdade.
— Começa já a falhar?
— Não. Começo já a defender o meu direito de nada pôr aqui sobre o assunto se não me apetecer.
— Isso é tudo muito confuso.
— Prefiro achá-lo relativo.