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Foi o maior espaço de tempo que tive longe da família, dos amigos, de Lisboa.

Senti nestes quase dois meses de ausência o que significa a saudade dos nossos. Simultaneamente aprendi que não consigo sentir saudades de absolutamente mais nada do que dos afectos, das  pessoas.

De sítios, coisas, carros, bens, cores, sabores, texturas, acho que não tenho a capacidade de sentir falta.

Longe, talvez até pensasse nisso mas quando regresso e me confronto com o que sempre tive ao meu alcance, discorro que já nada me faz falta, se é que alguma vez fez, coisa em que não acredito muito. Não faz falta o que nunca poderá ser nosso ou, melhor dizendo, o que nunca, ou por enquanto, nos poderá ter por inteiro.

Atirei as malas para dentro de casa e corri para os braços da minha mãe. Ai aquele cheiro, aquele abraço, aquele sorriso, aquele amor…tanto, tanto, tanto. Incomensurável, infinito, desmedido amor. Vocês não imaginam a saudade que eu tinha dela.

Estas semanas a quilómetros daqui fizeram-me ver o fenómeno da emigração de ângulo mais abrangente. Acho que sempre pensei na parte económica, no retorno financeiro que se sobrepunha a tudo. De repente dei-me conta de que ficar longe dos que se ama é doloroso, algumas vezes insuportável.

Hoje respeito mais, ou compreendo melhor, ou olho com mais carinho, aqueles que todos os Agostos regressam com maneirismos e tiques de França, da Suíça, do Luxemburgo…..

E enquanto por aqui ando, mato saudades dos meus, aprendo a fazer pasteis de nata e começo a afeiçoar-me  à ideia de que era bom um dia destes me sentir em casa, seja lá onde e o que isso for.