All rights reserved by Tangas Lésbicas

— É verdade que aquela pikena, a filha da Piedade, é prima?
— Não faço ideia.
— Quem me disse foi uma pessoa da minha confiança.
— Ainda bem. Assim não tem necessidade de vir atirar o barro à parede comigo.
— Foi uma forma de dizer, não foi para a testar.
— Não era mais simpático dizer-me logo, em vez de me fazer uma pergunta como se estivesse com medo de se comprometer?
— Não foi nada disso.
— Pois não. Mas estou um bocado farta desse tipo de perguntas. O facto de ser lésbica não me dá nenhuma habilitação especial para saber quem são todas as outras primas ou primos. É como assumirem que, por ser lésbica, me estou automaticamente a atirar a todas as mulheres. Não há paciência.
— Veja lá para onde a menina leva a conversa…
— Eu? Fui eu que a comecei, por acaso?
— Era uma perguntinha insignificante e já virou luta política.
— Não há perguntas insignificantes. E a sua já teve a minha resposta.
— Pode baixar a guarda.
— Sabe que mais? A maior parte das pessoas que sei que são primas e primos nunca vieram ter comigo para o dizer. Foi sempre alguém que se chegou ao pé de mim com uma pergunta insignificante e acabou por me informar. E esse tipo de informação é o que temos. É o diz-que-disse. Com tanta evolução, com tanto telemóvel, com tanta net, com tanta televisão, o meu conhecimento básico, e o dos outros, é o que se ouve dizer. Por isso, não baixo guarda coisa nenhuma. Sei lá o que vão dizer a seguir e que consequências isso vai ter.
— Credo! Até tem razão. Mas… Já tomou o pequeno-almoço?
— Tenho cara de quem tomou o pequeno-almoço?
— Não, claro que não. Vamos lá meter açúcar para a veia, antes que haja uma desgraça.