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— A menina já viu bem?
— Não fiz eu outra coisa.
— Tem a certeza?
— Se lhe estou a dizer que nem sinais…
— Nem uma corda de escalada, um gancho, um guardanapo de papel abandonado ao acaso?
— Nada. Não há sinais da nossa Pagu em viagem.
— Não sei o que hei-de pensar. Será que está perdida nos bushes e não tem como comunicar?
— Não tem? Num sítio onde de qualquer capulana se desenrola um telemóvel?
— Talvez não haja sinal no sítio onde está…
— Isso já era. Hoje em dia há satélites e telemóveis por tudo o que é selva. Nem a jibóia mais insidiosa escapa ao poder das telecomunicações.
— Se a menina o diz…
— Digo. E até digo mais: estamos aqui a falar de bushes, mas ela está é no bem bom, na piscina e numa das mais prósperas capitais do mundo.
— Também desconfio que sim. Mas que se estará a passar para que não dê sinais de vida?
— Vai ver que além de fazer o que recomenda o nosso Primeiro, ainda dá o corpo ao manifesto a ensinar os estrangeiros a fazer pastéis de nata.
— Estamos feitas… Nunca mais sai outra crónica delirante!
— Pior: nunca mais sai do exílio.
— É, a coisa está preta. Oooops! Está má, queria eu dizer. Parecem os tempos em que emigravam todos os talentos de Portugal e Trovas ao vento que passa e Saudade da Pátria amada.
— Isso é algum fado bidonville novo?
— Acha que saiu bem? O melhor é acrescentar-lhe mais uns versos trágicos.
— Ora… Tenha paciência e leve lá o relato da descida ao bairro da lata para outro lado. Por que é que não deixa isso nas competentes mãos do nosso Primeiro e do Gaspar Pinoquito?
— Tem razão. Entre as pilhérias vadias desses e as verdades de La Palisse do Álvaro, não tenho hipóteses. É difícil competir com tanta lavadeira promovida.
— E da prima Pagu, nem tambores soam na selva…