Há espera do começo das hostilidades... (Foto: Pagu)

Eu sei, eu sei, sei que me atrasei outra vez e que um dia destes me arrisco a chegar aqui, tentar colocar a crónica e ter a porta trancada. Mas, acreditem, tem havido sempre uma coisa ou outra que me impede de chegar a tempo.
Mas, anda bem que me atrasei pois o post de hoje é sobre o meu passado sábado.
Depois dos afazeres matinais, fui até Joanesburgo em busca do Nirvana. Ok, eu explico. Dada a miséria alimentar em que vivo por aqui, resolvi dar ouvidos a todas as opiniões que tinha escutado sobre uma certa e determinada pastelaria, localizada na supra citada cidade, em que pelos vistos, se podiam comer as melhores iguarias que alguma vez foram saboreadas ao cimo da terra.
Foi-me garantido, a pés juntos e com expressões faciais de puro desvelo e admiração que o senhor embaixador quando quer um pastelinho de nata vai lá sempre comprar. Tudo bem pensei, o dito senhor já deve ter provado alguma vez um pastel de nata em Lisboa e saberá do que afinal de contas estamos a falar.
Ah! Também foram incluídos na lista dos prazeres a não perder, os pregos e os salgados do Bem Bom.
Faço aqui um pequeno aparte só para deixar dito que o nome Bem Bom não me inspirou nada de bom. Bem…..
Lá chegando, pediram-se então os ditos pregos e salgados. O croquete razoável embora picante como o diacho, para não fugir aos padrões locais, o rissol razoável menos, o prego…..qualquer tasca de vão de escada em Lisboa dá dez a zero naquilo.
O pastel de nata nem cheguei a provar, bastou-me ver o aspecto para perceber logo que tinha um Não Satisfaz mesmo nada assegurado. Quem provou confirmou as minhas suspeitas. Para ser apenas mau teria que melhorar muito. Mas, tinham Super Bock, que não bebi mas foi bom ver a garrafinha de novo.
Comprei também uma broa de milho que se mostrou desenxabida e sem alma.
E fico a pensar, se esta malta pensa que isto é bom, acredito em múltiplos orgasmos alimentares colectivos se alguma vez provassem a nossa verdadeira comida.
Sábado à noite fui pela primeira vez ver ao vivo e a cores um jogo de rugby. Nem mais nem menos que a equipa mais famosa, aqui de pretória, os consagrados Bulls contra os Brumbies.
Gostei muito, sobretudo de ver a paixão por um jogo que para eles é idolatrado até ao mais pequeno pormenor. Estes tipos vivem, respiram e suspiram por rugby.
E o que vi foi uma festa, de famílias, miudagem, mulheres, tudo muito bem comportado, havia piqueniques familiares perto dos imensos carros estacionados, tudo parecia ter-se congregado para um final de dia bem passado.
Não havia o cheiro a bifanas, nem couratos, mas também não houve peitadas nos árbitros, perdas de tempo, agressões e cuspidelas no adversário, ofensas à mãe de cada um, palavrões, idas para aqui e para acoli, enfim, tudo aquilo a que estamos habituados em qualquer Fafe – Odemira.
Foi sem dúvida um bom espelho do comportamento dos sul-africanos que parecem não se alterar com coisa nenhuma e mantêm o fair-play em qualquer situação.
E mesmo em situações que para nós seriam caricatas como sejam, o jogo a decorrer, o touro dos Bulls a fazer palhaçadas, as meninas com os pompons a chatear, ainda assim eles conseguem bater palmas a tudo ao mesmo tempo.
Não percebo todas as regras do jogo mas fiz a minha parte. Puxei pelos Bulls, bati palmas e portei-me bem. Bem ao modo South African.