— A menina concorda com o sexo antes do casamento?
— Antes, depois e sempre, enquanto for possível.
— Espere, deixe-me reformular: acha que duas primas, de madura idade, devem esperar pelo casamento para só então ter sexo?
— Acho que deviam era esperar que lhes chegasse o juízo antes de tomarem essa e outras decisões.
— Vá lá, pense no geral.
— Penso que cada uma faz o que lhe der na real gana e, se forem duas a decidir, a opinião dos outros não é para aí chamada.
— Foi o que pensei.
— E a que vem isso?
— Estou a pensar na minha próxima relação.
— Ah… Deixe-me ir ali para a sala rir, que já volto.
— A menina é impossível. Já está a fazer tábua rasa do que me acabou de dizer.
— Uma coisa é uma pergunta hipotética, outra é a menina pensar que resiste a uns beijos e amassos até a uma qualquer data de casamento.
— Fique sabendo que resisto, sim.
— Hum… Quem é a pikena que anda a fazer-lhe negaças? Já pensou que ela pode andar atrás do seu dinheiro?
— Que disparate. Eu trabalho, não vivo de heranças.
— Julga que só acontece aos heteros? E o seu apartamento com vista para o mar, o Mercedes que a menina gosta de passear pelo Guincho, as viagens para todo o mundo quando lhe apetece? Não são de arregalar o olho a qualquer pikena?
— Bom, na verdade, a ideia de esperar até ao casamento foi minha.
— Posso saber porquê?
— Pode. Não tenho a certeza de que é o que quero.
— Mas não é mais fácil dizer-lhe isso do que marcar um casamento?
— Não sei. Não sei de nada neste momento.
— Pelo amor da santa, mulher! Espero que não haja sexo nem antes, nem depois do casamento. De preferência, nem casamento…
— Mas é uma ideia romântica, não é?
— Claro que é. Sobretudo se nos lembrarmos de que foi tudo impingido por gente que queria subjugar as mulheres a um único dono. Tresanda a romantismo. Não quer abrir a janela para deixar entrar uma lufada de ar?