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— O que está a fazer em frente do espelho há tanto tempo?
— Exercício.
— Que tipo de exercício? É que daqui, não a vejo fazer muita coisa.
— Estou a praticar, ainda. Mas posso explicar-lhe.
— Faça o favor.
— Levanto os braços e imagino que estou a elevar pesos de cinquenta quilos cada um.
— E?
— Estou a praticar. É difícil levantar cem quilos.
— Mas a menina não está a levantar coisa nenhuma que se veja.
— Claro que não. Estou a usar o poder da mente para fazer exercícios violentos.
— Violentos? Sem usar pesos reais?
— Não seja negativa. Comecei com pesos de um quilo e já vou nos de cinquenta.
— Mas, na realidade, não está a levantar peso nenhum…
— Na realidade, estou a evitar lesões daquelas que as pessoas contraem com facilidade nos ginásios. Na realidade, as pessoas nem sequer vão aos ginásios. E a realidade é subjectiva.
— Não posso crer que está aí há mais de meia hora a levantar pesos imaginários.
— O que a menina crê ou não crê, não é assunto meu. Isto é muitíssimo real. Queria vê-la a si a levantar cem quilinhos.
— Impossível. Não tenho imaginação para tanto.
— Também me parece. Volte para os eu tablet e deixe-me em paz com os meus exercícios.
— Exercícios da mente…
— Somos o que pensamos que somos, minha cara.
— Vou já para a sala pensar que a menina fez um carilzinho de tofu e está a pô-lo na mesa para almoçarmos.
— Deixe-me acabar o exercício e tomar um duche. O poder da mente vence!