All rights reserved by Tangas Lesbicas

Pois é minhas queridas amigas, de vez em quando tenho estas coisas com as viagens. Acontecem coisas subliminares e… Fico em terra.
Na última sexta feira, estava eu de mala feita, vestida e calçada, que é coisa que raramente faço por aqui, prontinha para embarcar, quando eis que me telefona a pessoa encarregue de me tratar do visto para eu tentar ficar por aqui uns tempos, a dizer que tinha good and bad news.
As más notícias era que no Departamento de Estrangeiros lhe tinham dito que precisava de mais uns dias de intervalo entre uma coisa e outra e que portanto provavelmente de nada adiantaria meter a papelada agora.
As boas notícias nunca cheguei a saber, mas creio que tudo se baseava na reflexão profunda da dita senhora, que me garantia a pés juntos que “tudo acontece por um motivo”. Tentei descortinar um que fosse mas o único que encontrei foi ficar 140 euros mais pobre que foi quanto tive que pagar para mudar a minha viagem.
Bom, mas tudo isto teria um outro peso, não tivesse eu a sofrer de dores de cabeça e comichões no coro cabeludo desde o anterior domingo, dia em que depositei a minha cabeça nas mãos de uma prodigiosa cabeleireira negra, que me garantiram fazer as melhores trancinhas de Pretória. Foram cerca de seis horas de puro sofrimento e por várias vezes pensei que estava a ter um filho tantas eram as dores, os arrepios, a vontade de me matar pelo que estava a sentir. Quando depois de uma eternidade lhe perguntei com ar esperançoso quantas trancinhas faltariam ela respondeu calmamente que talvez uma sessenta, setenta, ou até mais.
Doía-me também vê-la grávida, em pé, durante todo aquele tempo. Sugeri várias vezes que ela descansasse uns minutos mas ela permanecia fiel ao propósito de puxar até ao humanamente possível, todo o meu coro cabeludo.
Mas não era tudo. Tinha levado a mota e portanto havia agora que enfiar um capacete na cabeça e só Deus e eu sabemos como o consegui colocar sem grande gritaria.
Na hora de deitar a coisa piorou já que parecia que a almofada tinha pregos. Além de que dormir com um barrete de pirata me parecer assim a modos que estranho mas havia que não estragar o penteado pois o regresso à familia estava por dias.
Durante toda a semana, “alguém” foi melgada todos os dias para compor as trancinhas, já que alguns cordelinhos caíam e era preciso manter tudo como novo. Seca total.
Bom, depois de todo este esforço, vocês conseguem imaginar como fiquei quando me deparei com um adiamento de 11 dias até Portugal. Que se lixem as tranças. Arranquei todos os cordelinhos com um sorriso sarcástico na boca e atirei-me para a banheira, onde rapidamente o meu cabelo se soltou e ficou “normal”.
Serviu para ver que experimentar coisas diferentes não faz mal nenhum, não morde, não complica, não stressa. Gostei, mas acho que não repetirei. O mais engraçado foi ver a reacção das pessoas. Enquanto os negros adoraram, perguntaram quem fez, mexiam, gostaram mesmo, os brancos mantiveram uma atitude mais comedida como se não entendessem muito bem como uma branca podia desejar ter um cabelo à negra. Foi óptimo. Acreditem.
Agora uma bad new: já tinha comprado o biltong para a Tangas. Será que se estraga?
Vá Tangas, se prometeres fazer trancinhas levo mais um pacotinho… rsrss
Saudades daqui de África.
Abraços para quem tem paciência para continuar a ler estas crónicas do mundo.