— Quer vir comigo a um jantar de primas?
— Não, obrigada.
— Pense bem. Está difícil arranjar jantares com primas.
— Foi por ter pensado bem que lhe disse que não.
— Como assim?
— Ora… Este verão, com a crise, anda tudo fragilizado. E pingar amor é uma actividade muito aprazível nessas circunstâncias.
— Então? Não é bom? Um namorico e tal…
— Seria, se as primas não achassem logo que têm de oficializar a coisa e perpetuar o namoro até terem ganas de se matar umas às outras. Nem pensar.
— Está a falar de namoro, de casamento, de relação?
— Disso tudo. E de como qualquer flirt vira, obrigatoriamente, uma relação.
— Está a pôr a pior das hipóteses.
— Estou a tentar evitá-la. Amores de verão deviam vir com etiqueta e prazo de validade.
— A ideia não é muito romântica.
— Não precisa de ser. Tomar uns copos em conjunto, curtir uns amassos e eventualmente uma noite de sacudir teias de aranha não tem de ser obrigatoriamente o início de um romance.
— Tem razão. Mas no final, todas queremos viver um grande romance.
— Fale por si. Eu cá contento-me com uma noite bem passada.
— Isso é agora que estamos aqui as duas a falar. Mas daqui uns tempos, quando aparecer uma prima que a tire do sério, o caso muda de figura.
— Só se for para pior. O meu projecto de vida não é encontrar alguém e viver feliz para sempre. Tenho meia dúzia de outras coisas em mente. Se, pelo caminho, encontrar alguém com quem partilhe bons momentos, melhor.
— A menina está a armar-se em durona.
— Nem por isso. Estou apenas a pôr em prática alguma honestidade. Vá lá curtir os seus amores de verão e ser desonesta consigo mesma. Comigo tem sempre rede de protecção. Estou cá para lhe aturar as dores da separação, como sabe.
— Nem sei por que falo consigo.
— Toda a gente precisa da sua plateia privada.