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— A questão da felicidade?
— Alguma dúvida?
— Nenhuma, com certeza, depois de ouvir a explicação que me vai dar.
— Sabe aquelas primas que fazem um arzinho de tédio contido quando lhes perguntamos se são felizes ou o que tencionam fazer hoje pela sua felicidade?
— Sei. Não me diga que leva a mal que as pessoas fiquem de pé atrás quando alguém lhes fala em felicidade, assim como os gurus que para aí sobram…
— O que eu levo a mal é a falta de capacidade das pessoas para pensarem e agirem por si. É tudo uma questão de moda, de seguidismo. Aparece uma nova escola de meditação e vão todas a correr. Dois meses depois já ninguém quer saber, porque anda tudo a correr para um ginásio novo com uma “nova” filosofia para manter a linha e a saúde. Mas fala-se em felicidade e torcem o nariz.
— Tem de admitir que a felicidade tem os seus altos e baixos…
— O que eu não admito é a falta de coerência.
— Estou a tentar segui-la.
— O que tem altos e baixos são as formas que escolhemos para perseguir a felicidade. Mas quando vamos a correr meditar, fazer um novo programa de fitness, salvar os cães e gatos vadios, lutar pelos direitos lgbt ou por um ambiente mais sustentável, que mais fazemos do que uma busca da felicidade? Para que nos damos ao trabalho de aderir a uma causa, se não for pela felicidade? De que estamos a falar aqui e sempre, afinal?
— Da questão da felicidade…