As conversas não se debruçam normalmente sobre o activismo. Fala-se em direitos, posturas, estratégias, mas não em activismo. O que se faz aqui no Tangas Lésbicas é activismo. Escolhemos participar activamente numa forma de estar e de consciência.

Começámos pelos direitos dos homossexuais, que na altura ainda nem sequer eram lgbt. Esses foram ganhando terreno depois, graças aos activistas lgbt que tinham consciência de outras coisas, outros direitos e outras formas de estar que não apenas dos homossexuais.

O activismo é assim um processo contínuo que vai ganhando dimensões insuspeitadas. Toma-se a decisão de se ser activista e, ao fim de algum tempo, percebemos que somos activistas dos direitos dos homossexuais, lgbt e de todas as causas que fazem parte de direitos e de uma visão mais consciente do mundo que nos rodeia.

É impossível ser activista lgbt sem o ser dos direitos das mulheres, das crianças, dos animais, das minorias, do meio ambiente, da liberdade de expressão, da justiça para todos, de uma prática política mais decente, de uma economia mais equilibrada, de uma alimentação mais sensata, de um maior respeito por tudo e por todos. E por nós.

Ser activista é uma decisão e um princípio pelo qual acabamos por reger a nossa vida. É uma visão mais abrangente de todas as coisas, uma luta por uma melhor realidade. É abrir os olhos e descobrir que quando se começa a lutar por uma causa, não há como abandonar todas as outras.

Como é humanamente impossível participar em todas as lutas justas, acabamos por perceber que o activismo não é uma questão de tempo, mas uma disponibilidade nossa para ver o mundo de outra forma. O activismo muda o nosso estado de consciência e a nossa forma de estar na vida.

No Tangas, acreditamos que o activismo nos faz crescer e que nenhuma causa é maior ou melhor do que a outra. Nem independente de nenhuma das outras. Somos activistas!