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— Tome lá uma prendinha para comemorar o dia da mulher.
— Rendeu-se ao marketing da hipocrisia política?
— Não seja mal agradecida e abra lá a prendinha.
— Cheira bem, mas não me parece um perfume…
— E não parece mesmo.
— Café??
— Pelo menos já não tem desculpa para me oferecer aquela zurrapa instantânea quando cá venho.
— Por pouco não me oferecia uma panela ou uma dúzia de colheres de pau, como aqueles pikenos que oferecem aspiradores e máquinas de lavar às mulheres no dia do aniversário…
— Achei que não era preciso nada de tão romântico. O bem café, pelo contrário, é como um bom perfume e usa-se em boa companhia.
— Não ponha mais na carta…
— Claro que não, desde que não se fale mais no marketing político…
— Não lhe passou pela cabeça trazer-me flores?
— Claro que não. Isto não é um encontro romântico e também me lembrei que a menina tem alergias.
— Mas gosto de flores…
— As flores são como os trens de cozinha: amarram as mulheres a um ideal muito retrógrado da feminilidade.
— Insisto: gosto de flores.
— Não seja desmancha-prazeres e deixe-me ir ferver um bocadinho de água para o nosso café.
— Por que será que a menina só me oferece coisas de que gosta muito?
— Nunca ouviu dizer: não faças aos outros o que não queres que te façam? Não sou capaz de oferecer nada de que não goste.
— Passou-lhe pelo menos pela cabeça que podia ser outra coisa que não o café?
— Como chocolates ou uns bilhetes para o próximo espectáculo da Carminho no Coliseu?
— Por exemplo…
— Pensei nisso, mas achei que era assim a modos como um prazer masculino.
— Como assim?
— Comemos os chocolates todos de uma vez e o espectáculo só dura uma noite. O café ainda vai durar uns bons dias, assim como “aquela coisa” múltipla…
— Sabe o que lhe digo? Devia ter trazido os chocolates, os bilhetes e o café, tudo junto, e assim tínhamos uma orgia de prazeres.
— …
— Não acredito que trouxe mesmo tudo…
— Mulheres, mulheres, mulheres…