tangas-romanticas

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— Já tenho saudades de me apaixonar…
— Para quê?
— É mais ‘pelo quê’.
— Estou a ouvir…
— É aquela coisa de me sentir bem, viva, mais do que de alguém em concreto.
— Entendo.
— Não se sente assim de vez em quando?
— Claro que sinto. Mas não acho que sejam saudades.
— Então o que é?
— Acho que é, finalmente, conhecimento do que é bom para mim.
— Em oposição a alguma coisa?
— Talvez. À agitação habitual, ao desassossego, aos desencontros.
— De acordo, completamente.
— Acho até que o amor é o contrário disso tudo e que passamos a maior parte da vida nesses enredos de ópera dramática, convencidas de que isso é que é paixão, romance, sentir com todas as forças. No fim, é tudo horrível e desgastante. Um saco de péssimas escolhas.
— Concordo. Chega, felizmente, a altura em que nos dão as saudades do que é bom, suave, tranquilo e, nem por isso, menos intenso.
— Calma, senão ainda me apaixono por si.
— Tinha mal?
— Talvez, se fosse inspirado nessa ideia que me está a transmitir e não em alguma coisa que surja naturalmente.
— Está cheia de senso comum hoje…
— Estou, não estou? O melhor é darmos já cabo disso.
— Como?
— …