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junho2016-lgbt

Hoje é dia de santas e santos no Porto e Lisboa. Nas outras cidades ainda não. Santos ainda sem estátuas e nichos e devotos. Também falta o fogo de artifício que os consagra como verdadeiramente populares. Mas há marchas — ainda sem concurso de bairros, associações ou agremiações — comida e bebida como deve ser, festa e música. Discursos, actividades, mas ainda faltam os vasinhos de flores e as quadras estampadas em bandeirinhas. Ó santos do meu país, ainda se cala a desgraça, ainda pouco se diz…
Hoje há santas e santos e amanhã cala-se a festa até ao próximo ano. Mas hoje dança-se e canta-se, pelo menos em duas cidades. Nas outras a festa é mais discreta, de preferência um bocadinho desviada dos rossios e das praças dos municípios — quem quiser dessas que se desloque à babel de Lisboa ou à do Porto. Hoje são santinhas e santinhos a saltitar um pouquinho, felizes por um só dia.
O que interessa o que defende a lei, se mesmo assim nenhum autarca, nenhum governante estimula a festa em todas as cidades? Ou corrige assimetrias? Ou deixa de pensar que estas coisas de defesa dos direitos de cidadãos são da única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, esses grupelhos a quem a igualdade interessa.
Hoje há marchas sim, mas não para todos nem para todos. Há marchas que se empurram com a barriga (ou partes menos rotundas do corpo) porque na verdade nenhum político se atreve ainda a defender direitos em todo o País. Ou seja, alguns direitos ainda são mais devidos em duas cidades do que nas outras todas. Pelo menos por um dia.
Santinhas e santinhos destes ainda não moram de verdade no coração. Ainda ninguém vem para a rua gritar Estes santos também são nossos! Também são nossos filhos, nossos amigos, do nosso sangue, do nosso coração!
Não, ainda não. O coração ainda não é tão grande como isso. Ainda só começou a bater abertamente em Lisboa e no Porto. Nas outras cidades não.
Venha o próximo político que jure que em honesto serviço público, se trate estas santas e estes santos como tão dignos de se celebrar em Junho como António, João e Pedro. Ou Maria, Fátima e Conceição.
Hoje há santos, sim, mas ainda indignos de mais admiração do que a própria, ainda apenas orgulhosos por omissão do orgulho, da coragem e do coração dos outros.

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tangas-desempoeirada

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— Para que é que a menina quer uma prima desempoeirada?
— Não é para fins pessoais, esteja descansada.
— Então para que é?
— Para governar o País, claro.
— O que é que isso tem de claro?
— Repare: em primeiro lugar, essa gente não se assume, coisa que uma prima é perfeitamente capaz de fazer.
— O que é que não assumem?
— Que são aquilo que toda a gente sabe que eles são, incluindo a menina, que está aí a fazer-se de novas e que sabe tão bem quanto eu, eles e toda a gente, o que são. Os políticos nunca saem do armário, é um facto.
— E acha que a prima sai, ou entra a correr quando se vir no poleiro?
— Com as outras primas todas prontas para fazer um pé de vento se ela não assumir? Está a brincar, não está?
— Não sei… Muitas primas também têm muito medo de se assumir.
— Para isso é que serve a discriminação…
— Desculpe?
— Discriminação, separação, dividir para reinar. Entende?
— Não sei se a estou a seguir.
— Passo a explicar: arranja-se a prima desempoeirada, que pode ser assim como aquela ministra das finanças mal encarada, a meio caminho entre prima-tia e camionista, cujo nome envolvia um produto lácteo…
— A Manuela?
— Sim, essa. Depois diz-se-lhe que as primas não a gramam e, às primas, diz-se que ela lhes tem raiva; aos primos diz-se que ela os adora e, ao governo, que ela é corrupta. Continua a seguir-me?
— Com toda a atenção.
— Muito bem. A seguir arranja-se forma de, alternadamente, ela fazer as pazes com parte das primas e parte do governo e, aos primos, contam-se todo o tipo de histórias para alimentar a incerteza.
— Não sei se vou ser capaz de continuar a segui-la.
— Não se preocupe, porque também não interessa nada; a confusão é uma aposta essencial neste processo todo. O que queremos é que o governo goste primeiro dela e a chame a governar; depois dela lá estar, alimentamos os boatos e as confusões. Quando tudo estiver bastante enredado e impossível de seguir, arranjamos assim uma coisa estúpida, do género não és mulher nem és nada, para ela se encher de brios e assumir que está no governo para roubar como qualquer outro. Com um bocado de sorte e fomentando bem as diferenças entre políticos, primas e primos, anda tudo à batatada e estabelece-se um novo paradigma.
— Qual?!?
— Até as primas desempoeiradas se deixam corromper por osmose num governo; logo, não há governo sem corrupção. Portanto, para eliminar a corrupção é preciso eliminar os governos. Chegou a época de eliminar todo e qualquer tipo de governo.
— Está louca! E como é que nos governamos sem governos?
— Tal e qual como agora: desgovernadamente. A vantagem é que isso é integralmente assumido.


tangas-primasodosportingue

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— E se o País fosse governado por primas do zepórtingue?
— Se? A mim parece-me que já há primas dessas a desconcertar qualquer tipo de governação…
— Já imaginou as possibilidades de um País eternamente relvado?
— Se se está a referir ao membro do governo que parece ter caído dentro da máquina de cortar relva, tire-me desse filme.
— Repare que não tem por que se apoquentar: esse relvado já foi, o rei mago também, a porta idem aspas; já só falta a fada dos SWAP, o coelho da cartola, o álvaro dos pastéis, os cavacos para o forno e os marretas das novas ralações públicas do governo. Não estamos assim tão mal.
— Inspire-me lá com essas miúdas do zepórtingue, a ver se me animo.
— Imagine o País tranformado num estádio gigante, as primas de camisolinha às riscas a correr energicamente para lá e para cá, a polícia a garantir a paz, os jornalistas autorizados e fotografar a lingerie nos balneários, a sopa dos pobres servida no relvado, a malta toda a ondular de esperança e as primas drag a animar a malta como as marjorettes. Que tal?
— E o que é que as primas faziam à troika?
— Enfiava-a em clubes de strip tease, que sempre é melhor do que lhes dar de mamar em restaurantes caros e assim são eles a pagar as lap dances; nada de muito diferente do que fazem agora, mas escusávamos de mandar a malta do 28 gamar-lhes as carteiras.
— E como abordariam o desemprego?
— Desemprego?!? Um bom clube tem sempre o banco cheio de reservas. Correr cansa; há que fomentar a rotatividade dos jogadores.
— E os pensionistas?
— Quer dispensar os treinadores de bancada e as suas entourages? Nunca.
— Impostos e evasão fiscal?
— Disso trata a malta que se organiza para a venda de bilhetes na candonga. Assim como assim, é preciso aproveitar a experiência e o jogo de cintura dessa classe.
— Que faziam aos actuais ‘treinadores’ e seus job boys?
— Enviados para o Darfur em missão humanitária.
— Sim? E a dívida?
— Minha querida, o dever acima de tudo!




Com chapéus de senhora na prateleira do armário e tudo. Go Jackie!


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O mês passado (Junho), um amigo escreveu no seu Facebook, à laia de provocação: “Hetero Rights!” (Direitos Hetero). E eu comentei: “Força! Antes dos prides lgbt os hetero nem sequer sabiam que tinham direitos.”


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Conheço a Coerência de infância, desde a altura em que ela me destroçava os intempestivos raciocínios infantis com a sua lógica perfeita, e me deixava de cara à banda, a pensar se devia convidá-la de novo para as minhas brincadeiras. Durante a idade do armário, afortunadamente, a pressão hormonal suplantava qualquer tentativa de racionalidade e pouco ou nada vi a Coerência.
A seguir a esse caótico período, voltou à minha vida. Em aparições esporádicas, que rapidamente se multiplicaram e ganharam em frequência, voltou a marcar pontos e a reclamar para si o território do que faz sentido.
A minha amiga Coerência não me permite, por exemplo, lutar contra uma discriminação e recusar outras. Não querer ser discriminada e depois exercer um qualquer tipo de discriminação que, por não ser igual à minha, faço de conta que nada tem que ver comigo.
Jamais poderia apresentar a Coerência, por exemplo, ao grupos de activistas lgbt que querem marchar pelos direitos que dizem respeito à sua identidade sexual, mas que se recusam a marchar lado a lado com indivíduos que lutam por direitos inerentes às suas condições específicas.
A Coerência é uma miúda difícil. Não apenas para mim, mas para toda a gente que pretende guerrear apenas em part-time. Para ela, a luta é uma forma de estar na vida, a tempo integral. É uma guerreira que não se deixa enganar pelo conforto de posições parciais.
Certa vez, por exemplo, estava eu discutindo com uma daquelas senhoras louras e muito bem, que dizem que é melhor ter treze filhos e ficar sem dentes aos trinta e cinco anos, do que defender a lei do aborto, quando a Coerência se adiantou e perguntou:
— A senhora também defende a pena de morte?
Ao que a senhora muito bem se indignou, perguntando logo se não era seu direito viver numa sociedade livre de indivíduos irrecuperáveis, que deviam pagar pelos seus horrendos crimes.
— Mas então — considerou a Coerência —, se defende a pena de morte, por que se afirma pró-vida e contra o aborto? Matar um feto não é o mesmo que matar um adulto? Ou também acha que a vida que tira com a pena de morte não tem equivalência à que se tira com um aborto?
Um raciocínio destes não é, obviamente, para todos. Mas é por isso que a Coerência tem a minha atenção. Com ela há mesmo que considerar todas as vertentes da questão.


Hello, Los Angeles. What’s up?


Submeti as vossas votações prognósticas aos comentários dos partidos políticos com assento na Assembleia da República (e aos que ainda estão a amealhar para a cadeira).

Ainda não temos respostas. É assim que a gente vê a importância que tem dez por cento da população para as cabeças governantes do País… 😐



– Isto tem andado um bocadinho parado, não tem?
– Hum…
– Anda com falta de inspiração?
– Não.
– Falta de assunto?
– Nem por isso.
– Vontade?
– Essa há que baste.
– Então que se passa?
– Nada.
– Isso está visto. Não se posta aqui nada há que séculos.
– Há que ter calma…
– Às vezes parece-me que há calma a mais.
– Isso é verdade.
– Se concorda comigo, por que razão não posta nada?
– Posto pois. Só que não é já.
– Pronto. Mas pode-se saber porquê?
– Pode.
– Então?…
– Hum…
– …?…
– Pronto, cá vai: ando de volta dos textos do concurso deste ano. Têm chegado muitos. É preciso lê-los, agradecer a quem envia, sugerir alterações, explicar as condições, enviar fichas de autor, instar para que as devolvam, reenviar os textos para revisão, submetê-los à apreciação das autoras, negociar com elas, voltar a receber os textos, rever e por aí fora. Isto ao mesmo tempo que se prepara o lançamento dos Contos da Diferença na Fnac de Santa Catarina e em Lisboa, que se atende aos pedidos de quem quer livros e se estabelecem contactos para organizar os lançamentos.
– Safa, já podia ter dito que era isso tudo!
– Já disse. Mas acho que por economia de espaço dentro dessa sua cabecinha, parece que só retém metade das coisas.
– Escusa de ser bruta…
– Não é por mal, acredite. É por falta de tempo. Agora desampare-me a loja, sim?
– Já vou ali à frente. Quer que lhe traga um cafezinho?
– Quero sim. Com natas, uma pitada de chocolate em pó por cima. E, já agora, será que pode trazer-me uma tostinha com queijo de cabra e marmelada? É melhor trazer uma meia dúzia…
– Trata-se bem, a menina…
– Faz-se o possível.
– Não quer mais nada?
– Hei-de querer, mas depois peço-lhe.
– É melhor desandar daqui senão, daqui a nada, estou transformada em sua escrava.
– Hum…

Desenhos Tangas

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