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Capa da Sextante baseda numa obra de Tim Madeira e Ana Zanatti; fotografia da autora de Inácio Ludgero

A primeira razão para se ler O Sexo Inútil, de Ana Zanatti, é a facilidade com que se começa e acaba a leitura. Alguns livros, como este, têm o condão de nos manter suficientemente interessados para não descansarmos enquanto não chegamos ao fim. Não se assustem, pois, com o facto de ser um ensaio, e longo, porque se lê como um romance, embora não o seja. A autora é uma grande contadora de histórias e demonstra-o aqui muito bem.

A segunda é por ser um livro que se pode dar a ler a qualquer pessoa. Sem receio de chocar ninguém , porque tudo é dito muito directamente, mas sempre de forma muito correcta. “Apesar do meu fraco apelo por experiências radicais, a minha natureza que tende para a harmonia, a conciliação e a paz, perante a liberdade ameaçada reage explosivamente. Era assim e assim se mantém.” (pp. 464), escreve a autora. A sua explosão surge, no entanto, da honestidade interiorizada, não da defesa que despoleta o ataque gratuito.
Ana Zanatti diz tudo o que deve ser dito, sem afrontar ninguém. Não se esquece de ver o outro lado e evita os julgamentos de valor que não passam também de preconceitos. E esta é a terceira razão para ler o seu livro.
Outra boa razão (quarta) para meter o nariz nesta não ficção é o facto de fazer um bom apanhado de todos acontecimentos que promoveram a visibilidade e os direitos lgbti em Portugal e lá fora, assim à laia de história muito breve. As notas são informativas, extensas q.b. e não perturbam a leitura. Além disso, a autora adiciona inúmeras referências a escritores e obras com excelentes contributos para alargar os nossos horizontes como leitores e como seres humanos interessados em fazer da vida uma experiência com sentido.
Depois, cada capítulo tem o título de um filme, o que nos obriga a pensar numa maratona cinéfila de livro na mão, a viajar pelas pequenas e grandes inspirações que deram origem a uma classificação desse tipo. Sugestivo e a adicionar como quinto motivo para se ler este livro.
O fio condutor de todo o trabalho é a longa troca de correspondência com uma jovem cujos problemas cativaram a atenção da autora. É fácil a identificação do leitor com inúmeras experiências de ambas. Mais fácil ainda se percebermos como determinadas posturas são comuns a todos nós e não se restringe ao âmbito da orientação sexual. Sexto motivo do interesse desta obra.
Por fim, destaque para a compaixão implícita nas suas quinhentas e muitas páginas. No sentido do amor pelo outro e por um honesto esforço para o entender. Na correspondência, nas entrevistas feitas com homossexuais e familiares, e nas reflexões da autora.
A mudança em nós não se dá sem o contributo dos outros e, só com essa transformação pessoal podemos almejar um comportamento diferente dos que nos rodeiam. A discriminação com base na orientação sexual é apenas mais um pretexto para conformar a nossa liberdade aos limites de crenças insensatas, que surgem de escassas ou inexistentes reflexões sobre o que pode ou não pode acontecer na nossa vida.
O sexo inútil é, por todas as razões acima, um livro útil para quem não se conforma e mantém dentro de si a noção que tudo pode ser melhor se amadurecermos ideias mais correctas sobre o que é realmente a nossa liberdade como indivíduos e como sociedade. Com honestidade e senso comum, como nos sugere Ana Zanatti.

Na Contramão_capa

Romance de estreia de Marisa Medeiros, brasileira radicada em Portugal há seis anos, Na Contramão é um romance de temática lésbica com a chancela da Zayas Editora. O livro foi lançado em 2010, no Queer Lisboa, com apresentação de Ana Pinheiro.

Tangas Lésbicas (TL): Há quanto tempo escreveu Na Contramão?
marisa faceMarisa Medeiros (MM): Foi escrito no final de 2008 e levou três meses a nascer. Depois foi para a gaveta com os outros.
TL: Quer dizer que já escreve há muito tempo?
MM: Sim, desde os doze anos.
TL: Que tipo de textos?
MM: Os mais variados, desde poemas a comédias dramáticas. Tudo muito ligado à imagem, muito visual. Para o teatro, sobre a história do Brasil, por exemplo.
TL: E que história conta Na contramão?Na contramão_ contracapa 001
MM: A protagonista, Angelica, conta a sua história sem pudores, sobre a sua trajectória pessoal, coming out, relação com drogas, álcool, as suas reacções e a aprendizagem que faz através das suas vivências, em busca da sua identidade. É uma coisa muito comum, infelizmente, as pessoas sentem que não se ‘encaixam’.
TL:  Não se encaixam onde?
MM: Sentem-se deslocadas, diferentes e desfasadas das suas as expectativas e das expectativas dos outros. Em nenhuma altura Angélica escolhe as drogas e o álcool por ser lésbica. E procuro sempre, na minha escrita, falar sobre o conflito interno do ser humano, independentemente dos rótulos.
TL: E onde decorre a história do livro?
MM: Em qualquer metrópole e pode acontecer no coração de qualquer ser humano.
TL: Tem um fim feliz?
MM: Obviamente. Para que serviria a Arte se não para mostrar que a vida é feita de escolhas? Por que não mostrar um caminho?
TL: Entretanto surgiu outro livro, certo?
MM: Mais três. Depois do naufrágio, editado pela Metanoia, no Brasil. E em fase de acabamento, Laços, que espero lançar também com a Zayas. O quarto é o Ciranda encantada, que fecha o ciclo destas quatro histórias, que estão interligadas. Fazem parte de um projecto a que chamei Mulheres Indiscretas. Cada livro tem uma estrutura de escrita diferente.
TL: Que razões a levariam a recomendar o seu livro às pessoas?
MM: É um livro que tem ritmo, ingenuidade, ilusão e não é muito fantasioso, apesar de ser ficção.

Também nós, no Tangas, recomendamos às primas este título da Marisa, que podem adquirir através do site da editora, pedindo-o por email e levá-lo de férias para ler na praia e em boa companhia.
Se quiserem melgar a autora com perguntas, façam o favor, aqui nos comentários ou para o email tangaslesbicas@gmail.com. As três melhores perguntas, feitas pela mesma leitora, têm direito a um exemplar do livro oferecido pela Ana Pinheiro, da Zayas Editora.


Poema de Sappho
Música e interpretação de Angélique Ionatos
Músicos: Henri Agnel, Bruno Sansalone, Renaud Garcia- Fons, J-F Roger
Realização: Litsa Boudalikas


Mais uma história de amor e fantasia, para seguir no Filmes Lésbicos.


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Iniciativa de Helena Topa e da Porto Arco-Íris, vai começar uma Comunidade de Leitura de Temática Lésbica.
Uma excelente oportunidade para cuscar os contos de e sobre primas, que a organização se prepara para apresentar a quem quiser sentar-se com eles, ouvir e discutir.
As sessões têm lugar na Associação Cadeira de Van Gogh (Rua Morgado de Mateus, 41, ao lado da Biblioteca Municipal de São Lázaro), das 16h às 18h, dias 5 e 26 de Maio, e 16 de Junho.
Podem começar a contactar a Helena Topa e a Porto Arco-íris para mais pormenores e marcar a vossa presença.


Helena Correia foi a primeira mulher transformista portuguesa. Começou numa altura em que ainda ninguém falava em homossexuais, quanto mais nos seus direitos. Assumiu-se cedo e pagou a sua frontalidade com a cadeia, no tempo em que a PIDE (polícia política portuguesa criada durante o regime Salazarista) ainda ditava o que se podia ou não fazer. Pagou um preço pela sua rebeldia, mas jamais desistiu. Valeu-lhe o apoio e a ajuda da família, que a livrou de destinos piores.
Hoje, Helena Correia tem uma história para contar. Conheci-a na ILGA, quando a associação dava os primeiros passos e as pessoas ali se juntavam para ajudar no que houvesse para fazer e também para deitar uma vista de olhos em volta, às garotas e garotos que se atreviam a entrar na sede da Rua de São Lázaro.

Amanhã, na discoteca Mister Gay, na Caparica, estreia um espectáculo que é também uma justa homenagem à coragem da primeira mulher que se atreveu a fazer um espectáculo na pele de um homem em Portugal: Helena Correia, ou Lena, como dizem os amigos.

Tangas Lésbicas (TL): O que é um espectáculo de transformismo?
Helena Correia (HC): Perguntas bem. É uma arte como outra qualquer, uma simulação em que nós, mulheres, encarnamos personagens masculinos.

TL: Em que ano começaste a fazer transformismo?
HL: Em 1974, se não estou em erro.

TL: Com que idade?
HC: Era uma menina: vinte e três anos.

TL: Nessa altura as mulheres não se viam nesse tipo de show. Por que razão decidiste fazê-lo?
HC: Para desafiar a nossa condição e a minha postura.

TL: A família estava a par dessa tua actividade?
HC: Sempre. Aliás assumi-me com dezoito anos.

TL: Como conciliavas isso com a tua rotina diária?
HC: Era complicado. Dava aulas e fazia shows. Quase não dormia, mas aguentei.

TL: Aulas de quê?
HC: Português e FIlosofia.

TL: Que modelos procuraste para construir os teus personagens e o teu show?
HC: Vivia-se muito no romantismo e procurava as canções de que mais gostava, porque sabia que o público iria gostar, como as do Gianni Morandi, do Adamo e do Paul Anka, entre outros.

TL: Sentiste que mudaste mentalidades com esses espectáculos que fazias?
HC: Absolutamente, Marita.

TL: Fizeste transformismo por idealismo ou porque querias mais garotas a olhar para ti?
HC: (Risos) Garotas, não precisava. Era bonitinha por natureza (risos). Sempre fiz o que gostava e esta foi mais uma passagem da minha vida, por idealismo. Mas, as mulheres, na época, corriam para me ver onde quer que eu actuasse.

TL: Havia muitas garotas a assistir aos shows?
HC: Noventa e cinco por cento eram mulheres.

TL: Como chegaste a este tipo de espectáculo?
HC: Foi um convite da Guida Scarlatti, que gostou do meu visual. E eu aceitei.

TL: Houve algum episódio engraçado ou marcante que queiras partilhar connosco?
HC: Há, sim. Num dos primeiros espectáculos, um gay idoso veio ter comigo e convidou-me para sua casa. Pensava que eu era um rapazinho(risos). Após o convite dele, no nosso camarim, eu abri a camisa, não lhe dando qualquer resposta verbal. Ele corou, pediu desculpa e deu-me um abraço (risos).

TL: Que é feito do transformismo feminino hoje?
HC: Depois de mim, apareceu a Betty Santos, uma excelente transformista, profissional, com um pisar de palco muito seguro. Estive a trabalhar com ela no Mister Gay, Margem Sul.

TL: Quem gostarias de ver a fazer um show deste tipo?
HC: Além da Betty, gostaria de qualquer mulher que possa ter a mesma coragem que nós.

TL: Achas que a Manuela Ferreira Leite tinha êxito nesta linha de trabalho?
HC: (Risos) Se ela dá outros espetáculos, por que não?

TL: E a Assunção Cristas?
HC: Essa talvez. Proponho-me ensiná-la, como ensinei alguns travestis na época. Por exemplo, o Carlos Castro, que fazia de Miss Piggy no Rocambole, comigo.

TL: E a Assunção Esteves?
HC: Essa seria uma excelente jogadora de futebol (risos).

TL: Qual é a mulher portuguesa/figura pública mais sexy actualmente?
HC: Resposta difícil, mas acho a Fernanda Serrano uma lindeza (risos).

TL: Se te dessem oportunidade de voltar atrás no tempo, repetias o teu percurso? Que mudanças farias?
HC: Em certas coisas sim, tal como esta e o facto de ter sido presa por lesbianismo. Não me arrependo de nada. Mas noutras mudava, sim. Mas não quero comentar. Dói demais!

TL: E hoje, Helena, és uma mulher feliz?
HC: À minha maneira, sou.

TL: Já pensaste em fazer um show para o Tangas?
HC: Nunca pensei. Mas podes pensar nisso (risos).

TL: Que futuro vês para a comunidade lgbt?
HC: Pelo que leio, vejo e oiço, vamos ter um futuro, sim, a longo prazo. Este País tem de chegar lá. Afinal, todos somos filhos de Deus e muito já nós conseguimos!


Imagem

"Burning Secrets" by Marita Moreno Ferreira

 


Mosquita y Mari Trailer from Augie Robles on Vimeo.

Aurora Guerrero é a autora de Mosquita y Mari, sua obra de estreia que vai estar em no festival de Sundance. É a história complicada de duas adolescentes latinas da comunidade emigrante a sul de Los Angeles, que Aurora tentou financiar com dinheiro local. Mas foram os 82 mil dólares reunidos por 800 apoiantes que lhe permitiram fazer o filme.
Quando ainda estava na escola de cinema, pediram-lhe para escrever sobre alguma coisa que conhecesse. O que lhe ocorreu foi a amizade com uma amiga, aos 13 anos, de onde retirou coragem para se sentir confortável tal como era. Baseou-se nessa experiência pessoal para escrever o guião do filme e retratar uma parte da comunidade chicana marginalizada.


"Check-In" (da menina Pagu), já no site da rumoresdenuvens

"Check-In" (da menina Pagu), já à venda no site da rumoresdenuvens


Já lá está, o inexcedível e aventuroso livro da menina Pagu, o Check-In, no site da editora para quem o quiser, com uma apresentação breve da história. E por volta de 18 ou 19 de Dezembro, vamos ter direito a lançamento em Lisboa, não vamos, menina Pagu?


A lançar em Dezembro: "Check-In", a obra de estreia da nossa cronista das sextas-feiras, Pagu

Não é um livro de crónicas, mas sim o livro de estreia da nossa cronista, Pagu. “Check-In” é um romance de ficção, com 160 páginas, que vai ser lançado em Dezembro em Lisboa.
Estão todas e todos convidados para nos fazer companhia nessa altura. E comprar o livro, que é um must.
Podem começar a encomendar 😉

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