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Hoje é dia de santas e santos no Porto e Lisboa. Nas outras cidades ainda não. Santos ainda sem estátuas e nichos e devotos. Também falta o fogo de artifício que os consagra como verdadeiramente populares. Mas há marchas — ainda sem concurso de bairros, associações ou agremiações — comida e bebida como deve ser, festa e música. Discursos, actividades, mas ainda faltam os vasinhos de flores e as quadras estampadas em bandeirinhas. Ó santos do meu país, ainda se cala a desgraça, ainda pouco se diz…
Hoje há santas e santos e amanhã cala-se a festa até ao próximo ano. Mas hoje dança-se e canta-se, pelo menos em duas cidades. Nas outras a festa é mais discreta, de preferência um bocadinho desviada dos rossios e das praças dos municípios — quem quiser dessas que se desloque à babel de Lisboa ou à do Porto. Hoje são santinhas e santinhos a saltitar um pouquinho, felizes por um só dia.
O que interessa o que defende a lei, se mesmo assim nenhum autarca, nenhum governante estimula a festa em todas as cidades? Ou corrige assimetrias? Ou deixa de pensar que estas coisas de defesa dos direitos de cidadãos são da única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, esses grupelhos a quem a igualdade interessa.
Hoje há marchas sim, mas não para todos nem para todos. Há marchas que se empurram com a barriga (ou partes menos rotundas do corpo) porque na verdade nenhum político se atreve ainda a defender direitos em todo o País. Ou seja, alguns direitos ainda são mais devidos em duas cidades do que nas outras todas. Pelo menos por um dia.
Santinhas e santinhos destes ainda não moram de verdade no coração. Ainda ninguém vem para a rua gritar Estes santos também são nossos! Também são nossos filhos, nossos amigos, do nosso sangue, do nosso coração!
Não, ainda não. O coração ainda não é tão grande como isso. Ainda só começou a bater abertamente em Lisboa e no Porto. Nas outras cidades não.
Venha o próximo político que jure que em honesto serviço público, se trate estas santas e estes santos como tão dignos de se celebrar em Junho como António, João e Pedro. Ou Maria, Fátima e Conceição.
Hoje há santos, sim, mas ainda indignos de mais admiração do que a própria, ainda apenas orgulhosos por omissão do orgulho, da coragem e do coração dos outros.


http://filmeslesbicos.blogspot.pt/

— Nada como uma tarde de cinema para festejar o Santo António.
— Não era a Antónia, a Santa?
— Para o efeito, dá no mesmo, não dá?
— Já não sei. O Santo podia arranjar-nos um moçoilo garboso para o desfile dos noivos de Santo António Lisboa.
— E quem lhe garante que a Santa Antónia não lhe arranja também um blind date com o melhor amigo de infância dela?
— Não há paz possível com tanta possibilidade…
— Há sim: um bom filminho de primas para nos alegrar o dia.
— E que Santa Abacate nos valha!
— Ainda temos? Sempre se fazia um docinho de abacate com uma pitada de açúcar, canela e vinho do Porto para depenicarmos da mesma tijela. Vamos para o sofá?


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E tu? Que cobiças?


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É amanhã e vamos estar orgulhosamente juntos. As marchas de hoje em nada se parecem com as primeiras, embora continue a haver homossexuais incapazes de participar nela. Levamos mais facilmente os nossos pais, filhos e amigos à marcha do que algumas pessoas da comunidade. O que mostra que o preconceito está onde o deixamos entrar e ficar: dentro de nós. Não apenas o que diferencia afectos e relações, mas qualquer tipo de julgamento contra algo ou alguém. Dividir para reinar sempre foi um lema querido a todos os totalitarismos. Por isso, se quisermos acabar com as diferenças e assumir que podemos viver felizes e gozando a liberdade que nunca deixou de nos pertencer, juntemo-nos nesta alegre passeata por Lisboa. E deitem uma vista de olhos ao bom artigo da Wikipédia sobre a Homossexualidade em Portugal. Parabéns a quem o elaborou.




Hoje marcha-se no Porto, sob chuva, provavelmente, mas com a alegria das seis cores que simbolizam a luta de todos lgbti. Por isso, apelamos a uma GRANDE ONDA DE SEIS CORES e todas as outras iniciativas criadas por cada grupo ou participante.
A maior das lutas é, como sabemos, a pessoal. Assumir perante si próprio, quem se ama, um pequeno círculo privado e ir alargando esse círculo é um percurso conhecido de muitos nós. Participar na Marcha do Orgulho é uma etapa importante nesse processo.
Há cada vez mais pessoas a marchar com os seus amigos e familiares lgbti. Isso é também um motivo de Orgulho, porque sabemos que essas pessoas também têm um percurso a contar.
Os preconceitos que nos afectam também são os dos que não nos aceitam. Também esses são vítimas de uma educação que só lhes permite ver a duas cores: a dos heteros e a dos homo. Essas pessoas também merecem a nossa simpatia e compreensão.
Marchemos pois por TODOS e porque o direito de não sofrer com a discriminação é universal.


Estava por acaso a folhear uns comentários sobre a recém-aprovada lei que permite aos cidadãos do estado norte-americano de Nova Iorque, do mesmo sexo, contraírem matrimónio, quando dei com uma pérola do politicamente correcto: Não se chamam lésbicas, mas sim mulheres que usam calçado confortável…
E ao repetir o comentário junto de um amigo que, sob muita insistência, se define como “delicado”, prontamente exclamou: Então eu sou o salto-agulha!


Foto PinkNews

As norte-americanas Courtney Mitchell e Sarah Welton, do Colorado, casaram-se em Katmandu a 20 de Junho e celebraram o feito com celebridades nepalesas, políticos e activistas lgbt locais.
A cerimónia foi organizada pelo grupo activista Blue Diamond Society e pela agência Pink Mountain Travel, especializada em turismo lgbt.
Mitchell, psicóloga, de 41 anos, já viveu no Nepal e quis apoiar desta forma a comunidade lgbt local. Também já tinha ajudado o único membro gay (assumido) do parlamento nepalês, Sunil Babu Pant, a formar a Blue Diamond Society.

Sunil Pant (Fonte: DIreland)

No ano passado, Sunil Panta (ver entrevista à ILGA), já tinha ajudado um casal gay a casar-se no Nepal. Sanjay Shah, um cidadão britânico de Leicester e um cidadão indiano que quis salvaguardar o anonimato, conheceram-se em Inglaterra e o seu casamento foi organizado pela Blue Diamond Society, com a bênção de um sacerdote hindu.

Terceiro género
Embora o Nepal não reconheça o casamento entre pessoas do mesmo sexo, as cerimónias de casamento são habitualmente aceites pela sociedade. O país espera incluir os direitos lgbt na sua nova constituição e pode vir a legalizar o casamento gay. Em 2010, o Nepal teve a sua primeira marcha do orgulho (ver aqui). O Nepal, com trinta milhões de habitantes, que apenas em 2010 deixou de ser uma monarquia, passando a ser uma república federalista, é o primeiro país do mundo a reconhecer o terceiro género.
Em Dezembro de 2007, o Supremo Tribunal nepalês ordenou ao governo que anulasse todas as leis discriminatórias contra lésbicas, gays, bissexuais, transgérenos e intersexuais (lgbti) e reconheceu-os como terceiro sexo. O tribunal também decidiu que poderiam beneficiar de todas as regalias do estado como os cidadãos do género masculino e feminino.
Embora sendo o primeiro país do Sul da Ásia a reconhecer os direitos lgbti, a discriminação ainda prevalece e, em 2009, apenas uma pessoa, Bishnu Adhikary, tinha sido contemplada com um certificado de cidadania que lhe reconhece o estatuto de terceiro sexo.


A ausência de mulheres visíveis no movimento LGBT é um discurso recorrente.

Na minha opinião o discurso sobre a ausência de mulheres visíveis no movimento LGBT alimenta-se mais de ideias preconcebidas do que de factos reais. Existem e sempre existiram muitas mulheres activas, participativas e visíveis no movimento LGBT. Os lugares que são percepcionados como tendo mais poder e visibilidade mediática é que podem ter tido um deficit de mulheres, mas mesmo esta ideia provavelmente tem mais a ver com a percepção do que com a realidade.

Repetir e alimentar este discurso também é uma forma de perpetuar desigualdades.

Esta foto é um testemunho! As mulheres estão presentes na luta pela defesa dos direitos LGBT, em maioria, visíveis e com um discurso maduro, forte e contagiante.

 
Numa comunicação apresentada no encontro sobre Activismo LGBT e Feminista, em Coimbra, 20 Novembro 2009, organizado pela UMAR, Não te prives, IPJ e Comissão para a Igualdade de Género, fiz um esboço sobre O movimento lésbico em Portugal.

Um projecto interessante pode ser acrescentar mais histórias a esta história e construir um testemunho colectivo da participação das mulheres no movimento LGBT.

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