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homosapienneniviak-korneliussen

Lançado em Novembro de 2014 por Niviaq Korneliussen (Gronelândia), tem uma versão em dinamarquês e tornou a sua autora um sucesso de vendas no seu país natal (mais de duas mil cópias vendidas num universo de cinquenta mil habitantes, e muitos milhares mais na Dinamarca).
O nome é uma versão feminina do velho homo sapiens e Niviak escreve sobre as relações de um grupo composto por duas lésbicas, um gay, um bissexual e um transsexual e a sua obra teve um grande impacte na literatura local e Dinamarca.
O romance já tem tradução alemã e a autora esá a trabalhar num segundo livro. Esperemos que as versões inglesas e portuguesas cheguem depressa.

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natanga-2017

— Que está a fazer?
— A preparar o meu postal para o dia das namoradas.
— Hum… Um bocadinho grande, não acha?
— Acho-o pequeno para o efeito.
— Quer dizer que descobriu a sua alma-gémea?
— Ainda não.
— Mas acalenta esperanças. Estou a ver…
— Não é o que pensa.
— Então o que é?
— Estou a pensar em grande.
— Como assim?
— Cartão grande, pensamento grande.
— Só isso?
— É preciso mais?
— Se calhar não. Eu é que sou dada a coisas mais concretas.
— Não precisa de mo dizer a mim.
— Está a querer dizer-me alguma coisa?
— Não nada de especial.
— Pronto, percebi. A quem vai enviá-lo?
— Este ano resolvi esperar que o venham buscar.
— Vai ficar em casa até que apareça alguém?
— É uma estratégia tão boa como sair por aí desesperadamenta à procura de alguém.
— Nisso tenho de concordar consigo. Mas também pode organizar uma festa e logo se vê se alguém se identifica com o seu postalinho.
— Uma festa? Com as pessoas que conhecemos? Se alguém trouxer uma cara nova é porque a coisa já vai encaminhada.
— E se pedirmos que tragam uma convidada surpresa, de preferência solteira?
— Olha que subtileza…
— É melhor que nada. Acha que as primas alinham?
— Numa festa de corações solitários? Claro que alinham. Anda tudo a namorar o romance.
— Então está combinado.
— E eu a pensar que a menina estava na tanga…


az-si-2016

Capa da Sextante baseda numa obra de Tim Madeira e Ana Zanatti; fotografia da autora de Inácio Ludgero

A primeira razão para se ler O Sexo Inútil, de Ana Zanatti, é a facilidade com que se começa e acaba a leitura. Alguns livros, como este, têm o condão de nos manter suficientemente interessados para não descansarmos enquanto não chegamos ao fim. Não se assustem, pois, com o facto de ser um ensaio, e longo, porque se lê como um romance, embora não o seja. A autora é uma grande contadora de histórias e demonstra-o aqui muito bem.

A segunda é por ser um livro que se pode dar a ler a qualquer pessoa. Sem receio de chocar ninguém , porque tudo é dito muito directamente, mas sempre de forma muito correcta. “Apesar do meu fraco apelo por experiências radicais, a minha natureza que tende para a harmonia, a conciliação e a paz, perante a liberdade ameaçada reage explosivamente. Era assim e assim se mantém.” (pp. 464), escreve a autora. A sua explosão surge, no entanto, da honestidade interiorizada, não da defesa que despoleta o ataque gratuito.
Ana Zanatti diz tudo o que deve ser dito, sem afrontar ninguém. Não se esquece de ver o outro lado e evita os julgamentos de valor que não passam também de preconceitos. E esta é a terceira razão para ler o seu livro.
Outra boa razão (quarta) para meter o nariz nesta não ficção é o facto de fazer um bom apanhado de todos acontecimentos que promoveram a visibilidade e os direitos lgbti em Portugal e lá fora, assim à laia de história muito breve. As notas são informativas, extensas q.b. e não perturbam a leitura. Além disso, a autora adiciona inúmeras referências a escritores e obras com excelentes contributos para alargar os nossos horizontes como leitores e como seres humanos interessados em fazer da vida uma experiência com sentido.
Depois, cada capítulo tem o título de um filme, o que nos obriga a pensar numa maratona cinéfila de livro na mão, a viajar pelas pequenas e grandes inspirações que deram origem a uma classificação desse tipo. Sugestivo e a adicionar como quinto motivo para se ler este livro.
O fio condutor de todo o trabalho é a longa troca de correspondência com uma jovem cujos problemas cativaram a atenção da autora. É fácil a identificação do leitor com inúmeras experiências de ambas. Mais fácil ainda se percebermos como determinadas posturas são comuns a todos nós e não se restringe ao âmbito da orientação sexual. Sexto motivo do interesse desta obra.
Por fim, destaque para a compaixão implícita nas suas quinhentas e muitas páginas. No sentido do amor pelo outro e por um honesto esforço para o entender. Na correspondência, nas entrevistas feitas com homossexuais e familiares, e nas reflexões da autora.
A mudança em nós não se dá sem o contributo dos outros e, só com essa transformação pessoal podemos almejar um comportamento diferente dos que nos rodeiam. A discriminação com base na orientação sexual é apenas mais um pretexto para conformar a nossa liberdade aos limites de crenças insensatas, que surgem de escassas ou inexistentes reflexões sobre o que pode ou não pode acontecer na nossa vida.
O sexo inútil é, por todas as razões acima, um livro útil para quem não se conforma e mantém dentro de si a noção que tudo pode ser melhor se amadurecermos ideias mais correctas sobre o que é realmente a nossa liberdade como indivíduos e como sociedade. Com honestidade e senso comum, como nos sugere Ana Zanatti.

junho2016-lgbt

Hoje é dia de santas e santos no Porto e Lisboa. Nas outras cidades ainda não. Santos ainda sem estátuas e nichos e devotos. Também falta o fogo de artifício que os consagra como verdadeiramente populares. Mas há marchas — ainda sem concurso de bairros, associações ou agremiações — comida e bebida como deve ser, festa e música. Discursos, actividades, mas ainda faltam os vasinhos de flores e as quadras estampadas em bandeirinhas. Ó santos do meu país, ainda se cala a desgraça, ainda pouco se diz…
Hoje há santas e santos e amanhã cala-se a festa até ao próximo ano. Mas hoje dança-se e canta-se, pelo menos em duas cidades. Nas outras a festa é mais discreta, de preferência um bocadinho desviada dos rossios e das praças dos municípios — quem quiser dessas que se desloque à babel de Lisboa ou à do Porto. Hoje são santinhas e santinhos a saltitar um pouquinho, felizes por um só dia.
O que interessa o que defende a lei, se mesmo assim nenhum autarca, nenhum governante estimula a festa em todas as cidades? Ou corrige assimetrias? Ou deixa de pensar que estas coisas de defesa dos direitos de cidadãos são da única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, esses grupelhos a quem a igualdade interessa.
Hoje há marchas sim, mas não para todos nem para todos. Há marchas que se empurram com a barriga (ou partes menos rotundas do corpo) porque na verdade nenhum político se atreve ainda a defender direitos em todo o País. Ou seja, alguns direitos ainda são mais devidos em duas cidades do que nas outras todas. Pelo menos por um dia.
Santinhas e santinhos destes ainda não moram de verdade no coração. Ainda ninguém vem para a rua gritar Estes santos também são nossos! Também são nossos filhos, nossos amigos, do nosso sangue, do nosso coração!
Não, ainda não. O coração ainda não é tão grande como isso. Ainda só começou a bater abertamente em Lisboa e no Porto. Nas outras cidades não.
Venha o próximo político que jure que em honesto serviço público, se trate estas santas e estes santos como tão dignos de se celebrar em Junho como António, João e Pedro. Ou Maria, Fátima e Conceição.
Hoje há santos, sim, mas ainda indignos de mais admiração do que a própria, ainda apenas orgulhosos por omissão do orgulho, da coragem e do coração dos outros.


http://filmeslesbicos.blogspot.pt/

— Nada como uma tarde de cinema para festejar o Santo António.
— Não era a Antónia, a Santa?
— Para o efeito, dá no mesmo, não dá?
— Já não sei. O Santo podia arranjar-nos um moçoilo garboso para o desfile dos noivos de Santo António Lisboa.
— E quem lhe garante que a Santa Antónia não lhe arranja também um blind date com o melhor amigo de infância dela?
— Não há paz possível com tanta possibilidade…
— Há sim: um bom filminho de primas para nos alegrar o dia.
— E que Santa Abacate nos valha!
— Ainda temos? Sempre se fazia um docinho de abacate com uma pitada de açúcar, canela e vinho do Porto para depenicarmos da mesma tijela. Vamos para o sofá?


tangas-primas-zangadas

— Voltou para o sofá?
— Estou a pensar.
— É uma ocupação natural, não se preocupe.
— A menina acha que eu só escrevo aqui quando estou zangada?
— Disseram-lhe isso, foi?
— Foi. Acha que é verdade?
— O que eu acho é que não deve perder muito tempo com as opiniões dos outros. Somos todos muito opinativos sobre tudo.
— Mas acha que é verdade?
— Sim, de certa forma.
— Como assim?
— Então: esta coisa do militantismo, dos grupos de protesto e das causas surgem sempre porque pensamos que alguma coisa não está certa. Concorda?
— Concordo.
— Quando não concordamos com uma coisa, lá vamos nós tentar mudá-la, não é? Especialmente se a consideramos injusta. E lá vem a zanga, em maior ou menor dose, conforme nos sentimos mais ou menos compreendidos. Por isso, acho que sim, que nos zangamos sempre um bom bocado quando tratamos de repor a justiça.
— Hum…
— Com tanta injustiça neste mundo, andamos sempre um bocado zangados, não acha?
— Está a insinuar que cultivamos zangas?
— Até temos uma cultura em que estar zangados com montes de coisas é ser sério e responsável.
— Nisso tem toda a razão. Mas tangas são tangas…
— Tangas, humor, piadas, são zangas com verniz de boa disposição. Por baixo há sempre uma zanguinha inicial.
— Hum… Vou fazer uma sesta para ver se me passa a zanga.
— Faz muito bem. Chegue-se para lá um bocadinho para ver se a sesta chega para as duas.


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— Não é que chamaram a polícia?
— Onde? Porquê?
— Por causa das pikenas do prédio ao lado.
— Então? O que aconteceu?
— Parece que brincam de mais…
— Brincam? Como assim?
— Aquelas coisas normais que fazem parte da vida de casal e que as pessoas deixam de fazer com o passar do tempo. Incomodam a vizinhança…
— Pois é. A construção já não é o que era.
— Um sinal dos tempos, é o que é. Não tarda comercializam máscaras para abafar a sensualidade.
— Que exagero…
— Deve ficar mais barato do que alugar um celeiro com palha para praticar fora do raio de audição dos vizinhos.
— Convenhamos, não é agradável ser obrigado a participar da intimidade dos outros.
— Também não é agradável não poder fazer as coisas que as coelhinhas fazem naturalmente em casa, só porque a maioria das pessoas já se esqueceu do que é bom.
— Queira ver o que a menina fazia se as pikenas morassem aqui ao lado.
— Punha-lhes um bilhete na porta: “Tenho crianças em casa que começam a acreditar que as abelhinhas a polinizar flores provocam pesadelos.”
— Muito engraçada…
— Ou: “Vivo do rendimento social e não tenho dinheiro para comprar tampões para os ouvidos.”
— Tenho a certeza que os vizinhos fizeram isso mesmo.
— Acha mais razoável chamar a polícia?
— Acho que os vizinhos tiveram, pelo menos, a oportunidade de agir em conformidade com as suas frustrações e empatar as fadas em grande estilo.
— Coitadas das fadas…
— Dê-lhes tempo, que também elas passam para o lado das frustrações.
— Santa Abacate lhes valha.
— Ámen.


tangas lésbicas

(entrevista de R. U. Sirius a Kathy Acker (1947 – 1997) – ver original aqui – tradução: Tangas)

Chama a si própria Acker. E Acker é uma pessoa com quem de vez em quando ando. O mais fixe é podermos falar de tudo e ninguém ficar chocado (embora ela decida, por vezes, que sou um porco sexista). Alguns chamaram-lhe a nova geração Burroughs (autor da beat generation).

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Kathy Acker é uma romancista. Li pela primeira vez os seus ruídos interiores staccatonuma revista dadaísta canadiana algures pelo fim dos anos setenta. Pensei, “aqui está a nova geração Burroughs”, ou coisa parecida. Ela usa a apropriação, múltiplas referências de ego, múltiplas referências temporais, honestas e violentas obsessões libidinosas, discurso desconstrutivo e revolucionária repulsa de forma muito vantajosa- Os livros dela incluem Blood and Guts in High School, Empire of the Senseless, In Memoriam to Identity e My Mother:…

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tangas lésbicas

Há festa de bruxas e de tangas na noite de quarta-feira, dia 31 de Outubro, em Cascais. A partir das 23 horas, tragam bebidas, velas, lanternas, agasalhos, sustimentos vários, gabardinas (para o caso), vassouras (às cores) e boa disposição.

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Mesmo depois de ler não acredito! É possível utilizar este tipo de argumentos? É possível a absolvição?

“O Tribunal da Relação do Porto considerou que o psiquiatra João Villas Boas não cometeu o crime de violação contra uma paciente sua, grávida de 34 semanas, pois os actos não foram suficientemente violentos, apesar de este forçar a vítima a ter sexo com base em empurrões e puxões de cabelo.” Um Juiz fez uma declaração de voto contra esta decisão.

Sabiam que “A recusa meramente verbal ou a ausência de vontade, de adesão ou de consentimento da ofendida são, por si só, insuficientes para se julgar verificado o crime de Violação”?

Como agir/reagir num país com uma justiça que se permite utilizar estas justificações para decisões tão graves?

Para além das questões do domínio masculino na sociedade e em particular na área de decisão política e da justiça, existem questões sociais a considerar. Se fosse um mero operário certamente a decisão seria diferente. Homem, de estatuo sócio económico e cultural elevado, com uma profissão “conceituada”, tem certamente mais direitos. O que eu não sabia é que essa desigualdade de direitos podia ir tão longe.

Texto do acórdão

Artigo DN http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1850585

Artigo Sol http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=19026

Associação Sindical dos Juízes Portugueses http://www.asjp.pt/2011/04/25/juiz-vota-contra-absolvicao-de-psiquiatra/

Desenhos Tangas

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