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— Está a ler horóscopos?
— A devorar esta coisa da lua nova de hoje.
— Qualquer dia apanho-a a ler fotonovelas.
— Qualquer coisa que não envolva notícias é ganho.
— Nisso tenho de concordar consigo. Mas o que é isso da lua nova?
— Uma coisa especial, segundo os entendidos. Daquelas que nos muda a vida para sempre.
— E aplicações práticas?
— As que lhe quiser dar. O céu é o limite.
— Sério? Acha que posso encomendar já sushi de camarão crocante e gelado de chocolate e avelã em três bolas gigantes?
— Deixe a encomenda em aberto e aceite o que o universo tem para lhe dar.
— Hum… Um bocadinho new age a mais para o meu gosto, mas vou tentar. E o livrinho que estava a ler? Como se chamava mesmo?
— Que rodeios a menina faz para me pedir Os Cadernos da Joana Moisés
— Devem ser os efeitos da lua nova. Gostou?
— Ainda estou aluada…


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— Trouxe o que lhe pedi?
— Água das pedras? Claro.— Não foi isso!
— Credo… Que foi que eu fiz?
— Não me diga que se esqueceu…
— Ui… É o dia do nosso aniversário?
— Nada disso! A menina é impossível. Trouxe o que lhe pedi?
— Deixe ver: laranjas, água das pedras, pão, endívias, ovos, queijo da serra…
— Deixe ver o saco.
— Nem pensar. Vai espalhar as compras todas e a menina sabe que eu detesto a cozinha desarrumada.
— Mau, Maria…
— Maria? Quem é essa?
— Deixe-se de piadinhas e diga de uma vez se o trouxe.
— O quê?
— O chocolate, claro.
— Por acaso não é claro. É escuro. Não foi o que pediu?
— Foi. Dê-mo, dê-mo!
— Que ansiedade. Até me assusta.
— Passe para cá o raio do chocolate!
— Ah… Assim, não dá!
— Onde é que vai?
— Para minha casa. Era o que me faltava, aturar uma birra por causa do chocolate.
— Vá para onde quiser, mas deixe-me o chocolate.
— Nem pensar. Se é para ser traída pelo cacau, então ele é meu. Traio primeiro!
— Ó, meu Deus!
— Pronto: invoca a divindade por causa do chocolate, coisa que nunca fez por mim.
— Fique sabendo que esse saco não sai desta cozinha.
— Não é boa altura para lhe dar a escolher entre o chocolate e eu, pois não?
— Ainda não percebeu que a sua vida está por um fio?
— Não percebi eu outra coisa…
— Dou-lhe uma última chance…
— Não vale a pena. Comi o chocolate pelo caminho. Pronto, já disse.
— Não acredito…
— Se fosse a si, não punha as mãos a dois quilómetros do fogo, sequer.
— Isso é traição, é insuportável!
— Que dramalhão. Inacreditável…
— É melhor desaparecer da minha vista. Não respondo por mim!
— Ui… Parece-me mais interessante do que as últimas semanas, depois do jantar: televisão, cama, beijo de boa noite e até amanhã.
— Está a pedi-las, está mesmo a pedi-las!
— Pois estou mas, se calhar, nem assim tenho sorte.
— Desapareça!
— Não disse? Lá se vai a sobremesa que escondi no quarto antes de vir para aqui atazaná-la.
— Que sobremesa?
— A de chocolate, aquela de que a menina tanto gosta.
— Se estiver a brincar, desfaço-a!
— estou a contar com isso. Vamos lá, então…

 


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— Que é feito da menina? Não é vista nem achada há séculos…— O seu conceito de tempo sempre me intrigou.
— Passando o exagero, que se passa?
— De que fala, exacatamente?
— De si, que não tem dado notícias.
— Ah, isso…
— Então? Há novidades? Passarinho novo?
— Hum, não exactamente.
— Desembuche.
— Vem aí o dia das namoradas.
— E…?
— Estava a pensar se as primas gostariam de fazer uma coisa divertida em conjunto.
— Por que não propõe?
— Estou a pensar nisso.
— Vá, despache-se.
— Está bem, convenceu-me.
— Isso é que é falar.


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O WordPress lembrou-se que o Tangas está há cinco anos a dar música a quem a queira ouvir. Na verdade, é há quase nove anos que as tangas se desdobram e se desfiam. Começaram aqui e este ano, comemoramos nove anos de muitas e alegres tanguices.


Rebecca Lenkiewicz é a autora desta peça em cena no National Theatre de Londres, uma história de duas sufragistas a cumprir sete e seis meses de encarceramento na prisão de Holloway devido à sua luta pelos direitos das mulheres. É uma história de amor lésbico entre o retrato dos abusos sofridos pelas detidas naquela instituição. Ano: 1913, no auge do militantismo do movimento sufragista das mulheres inglesas.

Lenkiewicz é também a primeira autora a ter uma peça em cena no prestigiado palco Olivier, a mais importante sala do teatro nacional londrino. A encenação usa imagens filmadas da época que documentam a luta das mulheres pelos seus direitos, altura em que a palavra ‘sufragista’ era considerada um insulto.


também somos portugueses

Cara Senhora Manuela Ferreira Leite,

Também somos Portugueses.
Amamos Portugal e amamos em Portugal.
Compreendemos que não goste de nós, mas esperávamos que entendesse que, sem os Portugueses que somos, o País jamais seria o Portugal que gostamos que seja.
Saudamos sempre a participação das mulheres no Poder, porque nelas depositamos a esperança e a fé de que desesperamos quando os homens cedem à ganância e à sede de dominar.
Sofremos, no entanto, a desilusão das suas afirmações discriminatórias contra pessoas que amam pessoas do mesmo sexo.
Sabemos, apesar disso, que como mulher conhece o sabor da discriminação.
Por isso, em vez de lhe pagar da mesma moeda, apelamos a todo o amor de que somos capazes e pedimos-lhe que feche os olhos por um momento e sinta, connosco, o que é viver desde sempre com a reprovação, a condenação, o castigo imerecido, o silêncio, a desilusão, a revolta, a indignação.
Mas não fique aí, nesse canto escuro e tenebroso da vida.
Faça como nós e reúna todas as suas forças para encontrar, dentro de si, o amor, a auto-estima, a coragem, a energia, a alegria e a fé em si e nas outras pessoas.
Sinta o poder e a felicidade que nos animam quando realizamos que o mundo, afinal, é como o projectamos, dia-a-dia, a cada pequena mudança que efectuamos.
Nenhum obstáculo é demasiado grande para nós.
Nenhuma batalha é demasiado longa para o que desejamos.
Nenhuma meta, nenhum futuro é inatingível ou impossível.
E diga-nos lá se não é desta cepa que se moldam os Portugueses que gostaria de governar.
Acreditamos que é uma pessoa justa.
Que tem coragem e sabedoria suficientes para rever as suas afirmações.
Sabemos que, no fundo do seu coração, também há espaço para nós e que não nos deixará ficar mal.
É esse o amor que lhe temos, enquanto portuguesa, mulher e dirigente política.
Votamos no melhor que há em si.


junho 2008


poço da solidão - radclyffe hall

Há 80 anos a escritora inglesa Radclyffe Hall lançou The Well of Loneliness (Poço da Solidão), a história de Stephen Gordon, uma mulher inglesa da classe alta cuja inversão sexual (homossexualidade) é notória desde tenra idade. Gordon apaixona-se por Mary Llewellyn, condutora de ambulâncias na Primeira Grande Guerra. A felicidade das duas é marcada pela rejeição social e pela solidão. O romance defende a inversão como natural e foi alvo de uma campanha no Sunday Express, cujo editor escreveu que preferia dar ácido a beber a um rapaz ou a uma rapariga saudáveis do que deixá-los ler o livro.

O livro tornou-se então motivo de uma batalha legal e, apesar de a única menção explícita nele contida ser a frase “and that night, they were not divided” (“e, naquela noite, elas não ficaram divididas”), um tribunal inglês considerou-o obsceno por defender práticas anti-naturais entre mulheres. O romance conseguiu, no entanto, sobreviver à lei da época no Estado de Nova Iorque e ao United States Customs Court, tornando-se uma obra de referência, embora tenha sido censurada por muitas lésbicas por defender a imagem butch (camionista) e masculinizada das mulheres que gostam de mulheres.

A história de vida de Radclyffe Hall (Marguerite Radclyffe-Hall, 1880-1943), autora de várias obras poéticas e romances, também foi recheada de episódios de contornos novelescos. Os pais separaram-se quando era ainda uma bebé e foi praticamente ignorada pela mãe e pelo padrasto. Estudou no King’s Colledge de Londres e na Alemanha, onde viria a conhecer Mabel Batten, uma cantora lírica de 51 anos (Hall tinha 27). Mabel era casada, tinha uma filha e netos. Quando o marido de Batten morreu, as duas começaram uma vida em conjunto. Foi Mabel que começou a tratar a escritora por John, nome que nunca mais abandonou.

Em 1915 apaixonou-se por Una Troubridge, prima de Mabel e escultora, casada com um almirante. Mabel Batten morreu no ano seguinte e as duas começaram a viver juntas. A relação durou até à morte de Hall, embora a escritora tivesse mantido vários casos com outras mulheres.


17 de Junho

Que este mês é de festa 😉


Um estudo publicado esta semana na revista Procedings, do instituto sueco National Academy of Sciences (PNAS), afirma ter comprovado que o cérebro de um homem gay se parece mais com o de uma mulher do que com o de um homem heterossexual. O mesmo se aplica às lésbicas, cujos cérebros apresentam mais semelhanças com o de homens heterossexuais do que com o das outras mulheres. A pesquisa reforça a ideia de que a sexualidade não é uma opção, mas sim uma característica biológica. Mas avança também que “são necessárias pesquisas mais amplas com grupos de estudo maiores para buscar uma melhor compreensão da neurobiologia da homossexualidade”.
De acordo com os dados apresentados pela equipe de neurocientistas liderada por Ivanka Savic, do Instituto Karolinska, da Suécia, o tamanho e a forma do cérebro variam de acordo com a orientação sexual.Tomografias realizadas em 90 voluntários mostraram que o cérebro dos homens heterossexuais e das mulheres homossexuais é ligeiramente assimétrico, apresentando o hemisfério direito um pouco maior do que o esquerdo, dizem os investigadores Ivanka Savic e Pers Lindstrom. O cérebro dos homossexuais do sexo masculino e das heterossexuais não apresentam essa assimetria. Os cientistas mediram também o fluxo de sangue na amígdala cerebelar, uma área importante para os comportamentos agressivos, e descobriram que tem uma ramificação semelhante nos homens gay e nas mulheres heterossexuais, apresentando outra forma entre as lésbicas e os homens heterossexuais.
Em aberto continua a questão de essas características se verificarem durante o desenvolvimento fetal ou no pós-natal. Os investigadores acrescentam que o estudo não consegue dizer se as diferenças na anatomia do cérebro são herdadas ou se decorrentes, por exemplo, da exposição a hormonas como a testosterona no útero, e se são responsáveis pelas escolhas sexuais de um indivíduo. Pretendem avaliar isso num novo estudo a ser realizado com bebés recém-nascidos, para verificar se esse tipo de avaliação conseguirá ajudar a prever a orientação sexual deles no futuro.

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