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homosapienneniviak-korneliussen

Lançado em Novembro de 2014 por Niviaq Korneliussen (Gronelândia), tem uma versão em dinamarquês e tornou a sua autora um sucesso de vendas no seu país natal (mais de duas mil cópias vendidas num universo de cinquenta mil habitantes, e muitos milhares mais na Dinamarca).
O nome é uma versão feminina do velho homo sapiens e Niviak escreve sobre as relações de um grupo composto por duas lésbicas, um gay, um bissexual e um transsexual e a sua obra teve um grande impacte na literatura local e Dinamarca.
O romance já tem tradução alemã e a autora esá a trabalhar num segundo livro. Esperemos que as versões inglesas e portuguesas cheguem depressa.


newmoon-tangas

— Está a ler horóscopos?
— A devorar esta coisa da lua nova de hoje.
— Qualquer dia apanho-a a ler fotonovelas.
— Qualquer coisa que não envolva notícias é ganho.
— Nisso tenho de concordar consigo. Mas o que é isso da lua nova?
— Uma coisa especial, segundo os entendidos. Daquelas que nos muda a vida para sempre.
— E aplicações práticas?
— As que lhe quiser dar. O céu é o limite.
— Sério? Acha que posso encomendar já sushi de camarão crocante e gelado de chocolate e avelã em três bolas gigantes?
— Deixe a encomenda em aberto e aceite o que o universo tem para lhe dar.
— Hum… Um bocadinho new age a mais para o meu gosto, mas vou tentar. E o livrinho que estava a ler? Como se chamava mesmo?
— Que rodeios a menina faz para me pedir Os Cadernos da Joana Moisés
— Devem ser os efeitos da lua nova. Gostou?
— Ainda estou aluada…


OS CADERNOS DE JOANA MOISÉS - CAPA (3)-SINGLE

— Já está nas leituras de verão? Que livro é esse?
— Um romance de primas em 258 páginas.
— Parece interessante. Está a gostar?
— Bastante. Está escrito na primeira pessoa, como se fosse um diário, mas sem uma sequência cronológica. Como se a protagonista se fosse lembrando de episódios da sua vida.
— Hum… E quem é essa personagem?
— A Joana Moisés do título, uma jornalista. Os capítulos vão de 1973 até 2009, e passam-se em Moçambique, Lisboa, Cascais, Londres e Andorra.
— Tudo isso?
— As histórias são rápidas. E algumas bastante divertidas. Nem se dá conta das páginas que ficam para trás.
— Cenas explícitas?
— Algumas. Afinal, isto é um livro de temática lésbica.
— Quantos capítulos?
— Vinte e sete, com referência aos anos em que se passaram, e a maioria com o nome das pikenas que os protagonizaram.
— Então a protagonista não é a Joana Moisés?
— É, claro. Mas depois vai-se envolvendo com as outras pikenas, que têm direito a um ou mais capítulos cada uma, conforme a importância e os detalhes de cada relação. Outros são experiências por que passou, descobertas e por aí fora.
— Acha que a autora se autobiografa aí?
— Na nota introdutória diz que não.
— E é conhecida?
— Nem por isso. Jornalista, com mais umas publicações, poemas, histórias para crianças, contos, blogues.
— Houve lançamento?
— Ainda não. O prefácio é do Albino Cunha, da Janela Indiscreta, que produz o Queer Lisboa.
— Parece-me bem. Despache-se lá a ler isso para eu lhe deitar uma vista de olhos.
— Não se preocupe, porque estou morta por saber com qual é que ela fica no fim.
— Depois dessa agitação toda, devia era virar celibatária…

(Os Cadernos de Joana Moisés, de Marita Moreno Ferreira, rumoresdenuvens edições)

Na Contramão_capa

Romance de estreia de Marisa Medeiros, brasileira radicada em Portugal há seis anos, Na Contramão é um romance de temática lésbica com a chancela da Zayas Editora. O livro foi lançado em 2010, no Queer Lisboa, com apresentação de Ana Pinheiro.

Tangas Lésbicas (TL): Há quanto tempo escreveu Na Contramão?
marisa faceMarisa Medeiros (MM): Foi escrito no final de 2008 e levou três meses a nascer. Depois foi para a gaveta com os outros.
TL: Quer dizer que já escreve há muito tempo?
MM: Sim, desde os doze anos.
TL: Que tipo de textos?
MM: Os mais variados, desde poemas a comédias dramáticas. Tudo muito ligado à imagem, muito visual. Para o teatro, sobre a história do Brasil, por exemplo.
TL: E que história conta Na contramão?Na contramão_ contracapa 001
MM: A protagonista, Angelica, conta a sua história sem pudores, sobre a sua trajectória pessoal, coming out, relação com drogas, álcool, as suas reacções e a aprendizagem que faz através das suas vivências, em busca da sua identidade. É uma coisa muito comum, infelizmente, as pessoas sentem que não se ‘encaixam’.
TL:  Não se encaixam onde?
MM: Sentem-se deslocadas, diferentes e desfasadas das suas as expectativas e das expectativas dos outros. Em nenhuma altura Angélica escolhe as drogas e o álcool por ser lésbica. E procuro sempre, na minha escrita, falar sobre o conflito interno do ser humano, independentemente dos rótulos.
TL: E onde decorre a história do livro?
MM: Em qualquer metrópole e pode acontecer no coração de qualquer ser humano.
TL: Tem um fim feliz?
MM: Obviamente. Para que serviria a Arte se não para mostrar que a vida é feita de escolhas? Por que não mostrar um caminho?
TL: Entretanto surgiu outro livro, certo?
MM: Mais três. Depois do naufrágio, editado pela Metanoia, no Brasil. E em fase de acabamento, Laços, que espero lançar também com a Zayas. O quarto é o Ciranda encantada, que fecha o ciclo destas quatro histórias, que estão interligadas. Fazem parte de um projecto a que chamei Mulheres Indiscretas. Cada livro tem uma estrutura de escrita diferente.
TL: Que razões a levariam a recomendar o seu livro às pessoas?
MM: É um livro que tem ritmo, ingenuidade, ilusão e não é muito fantasioso, apesar de ser ficção.

Também nós, no Tangas, recomendamos às primas este título da Marisa, que podem adquirir através do site da editora, pedindo-o por email e levá-lo de férias para ler na praia e em boa companhia.
Se quiserem melgar a autora com perguntas, façam o favor, aqui nos comentários ou para o email tangaslesbicas@gmail.com. As três melhores perguntas, feitas pela mesma leitora, têm direito a um exemplar do livro oferecido pela Ana Pinheiro, da Zayas Editora.


poço da solidão - radclyffe hall

Há 80 anos a escritora inglesa Radclyffe Hall lançou The Well of Loneliness (Poço da Solidão), a história de Stephen Gordon, uma mulher inglesa da classe alta cuja inversão sexual (homossexualidade) é notória desde tenra idade. Gordon apaixona-se por Mary Llewellyn, condutora de ambulâncias na Primeira Grande Guerra. A felicidade das duas é marcada pela rejeição social e pela solidão. O romance defende a inversão como natural e foi alvo de uma campanha no Sunday Express, cujo editor escreveu que preferia dar ácido a beber a um rapaz ou a uma rapariga saudáveis do que deixá-los ler o livro.

O livro tornou-se então motivo de uma batalha legal e, apesar de a única menção explícita nele contida ser a frase “and that night, they were not divided” (“e, naquela noite, elas não ficaram divididas”), um tribunal inglês considerou-o obsceno por defender práticas anti-naturais entre mulheres. O romance conseguiu, no entanto, sobreviver à lei da época no Estado de Nova Iorque e ao United States Customs Court, tornando-se uma obra de referência, embora tenha sido censurada por muitas lésbicas por defender a imagem butch (camionista) e masculinizada das mulheres que gostam de mulheres.

A história de vida de Radclyffe Hall (Marguerite Radclyffe-Hall, 1880-1943), autora de várias obras poéticas e romances, também foi recheada de episódios de contornos novelescos. Os pais separaram-se quando era ainda uma bebé e foi praticamente ignorada pela mãe e pelo padrasto. Estudou no King’s Colledge de Londres e na Alemanha, onde viria a conhecer Mabel Batten, uma cantora lírica de 51 anos (Hall tinha 27). Mabel era casada, tinha uma filha e netos. Quando o marido de Batten morreu, as duas começaram uma vida em conjunto. Foi Mabel que começou a tratar a escritora por John, nome que nunca mais abandonou.

Em 1915 apaixonou-se por Una Troubridge, prima de Mabel e escultora, casada com um almirante. Mabel Batten morreu no ano seguinte e as duas começaram a viver juntas. A relação durou até à morte de Hall, embora a escritora tivesse mantido vários casos com outras mulheres.

Desenhos Tangas

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