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Antes de o Dia dos Namorados se tornar nesta feira económica, só comparável ao Natal, as coisas faziam-se de maneira muito diferente. Julgam que é engraçado fazer de um dia especial um circo? Então não sabem nada de nada.

Aqui há umas dezenas de anos aproveitava-se o dia de S. Valentim para mandar postais anónimos às pessoas de quem gostávamos. Era o que fazíamos com as pessoas com quem namorávamos, sim. Mas também com aquelas pelas quais tínhamos um fraquinho e nenhuma coragem ou intenção de o confessar. Às pessoas de quem gostávamos e que receávamos não virem a receber postais de ninguém.

No dia seguinte, entre amigas e amigos, contávamos os postais recebidos e aproveitávamos para partilhar uns momentos deliciosos, de conjecturas românticas e brejeiras sem outras consequẽncias senão as de alimentar os nossos egos e fazermos de uma saudável coscuvilhice o centro do nosso universo por um bom punhado de minutos. E isso tinha um sabor requintado.

Agora, com as montras atulhadas de balões, bombons, postais, copos, canecas e outros objectos muito kitsch, o que resta da quase secreta conspiração de amores desejáveis, imaginários e tolos, como o é a alegria de poder fazer disparates sem consequências?

 

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